"Queres ir dar uma volta? Tens tempo?"
"Corazón, tenho todo o tempo do mundo. Sabes, aquele que não me deste? Eu tenho todo!"
"Porque me chamas essas coisas?"
"Achas que és o único que trato assim? Já devias saber que trato toda a gente assim. Mas a uns o tom de voz é diferente. O sentimento é diferente. A sério que nunca reparaste nisso?"
"Talvez. Mas nunca pensei muito nisso. Estás diferente!"
"Já te disse... Estou mais magra!"
"Não é isso! É outra coisa qualquer que ainda não percebi."
[Posso-te fazer uma pergunta?]
"Claro que podes. As que quiseres!"
[E respondes com a verdade?]
"Como sempre disse que responderia!"
"Porque fizeste a tatuagem?"
"Tatuagens! E não sei por que me disseste que às vezes não acreditavas em mim. Quando é que não acreditaste em mim? E até já tinha juntado o dinheiro para te oferecer uma. Sei que queres mais!"
"Fizeste mais?"
"Sim. Uma em cada gémeo. Uma num braço, duas no outro e a tua inicial no peito!"
[Porque raio foste fazer isso?]
"Por uma razão muito simples... Da mesma forma que me disseste que sabes que nunca terás com mais ninguém o que tiveste comigo, eu sei que também não terei! É uma pena não teres noção do bem que me fazias. Saber que saía do trabalho e podia contar contigo para trocar umas mensagens sobre o meu dia. Saber que, apesar de pouco, saber que pelo menos duas vezes por semana estava contigo porque tu querias mesmo estar comigo, saber que eu era a pessoa em quem pensavas quando tinhas algum problema, mesmo não me falando sobre ele. Saber que era o teu abraço o que eu mais queria. O meu porto seguro, era nos teus braços que o mundo desaparecia e ficávamos só os dois! Mas diz-me... Quando é que alguma vez te disse alguma coisa em que não acreditaste?"
[Não sei. Desculpa!]
"Não tens que pedir desculpa!"
Saíram da esplanada e caminhavam sem destino outra vez. Pela primeira vez, aquela cidade era estranha para ela. Era a primeira vez que caminhavam juntos por aquelas ruas.
"Não andas com o anel que te dei!"
[Não. Não quero que me lembre de ti.]
"Fazes bem!"
[Como?]
"Queri.... Desculpa! Claro que fazes bem em não querer coisas que te lembrem de mim. Torna-se mais fácil seguir em frente! Eu mantenho os bilhetes no mesmo sítio. E a madeixa também. Mas é um sítio que como sabes não olho muito para lá e acabo por esquecer!"
[Podemos ir a minha casa? Ainda tenho algo para ti.]
"Não! Eu disse-te... Se quiseres, sabes onde moro. E não tens de ir a minha casa. Não estou a ser folgado. Estou a ser racional. Eu quando quero oferecer alguma coisa, vou ter com as pessoas!"
[Acho que nisso tens razão.]
"Claro que tenho."
[Ainda acho que estás diferente e não é por causa do peso!]
"Custou-me muito descobrir o que se passava comigo. Ainda não estou boa mas, os ataques de ansiedade são cada vez menores. Mas tenho algo muito importante para te dizer. Promete que não levas a mal, e não interpretas erradamente. Eu não te odeio. Serei incapaz disso."
"Força!"
"Gosto de ti como nunca gostei de ninguém. Mas tu tomaste uma decisão que me magoou muito. Nunca consegui perceber o porquê. Não percebi o que querias dizer com um passo atrás. Fiquei sem saber o que quiseste dizer quando falaste em <<Não é o momento>>. Ainda pensei que se te desse tempo e espaço suficiente, irias voltar a querer falar. Ainda pensei no passo atrás e chamar-te para um cinema..."
[Porque não o fizeste?]
"Já não me competia! Alguém te disse que o falar contigo era uma decisão minha. Verdade e mentira. Verdade... Não imaginas a quantidade de vezes que quis estar contigo para te contar as minhas coisas. O retomar de projectos antigos. Ter a tua opinião. Não imaginas a quantidade de vezes que quis só o teu abraço. E tu? Alguma vez quiseste o meu? Aquele cafuné na cabeça? Eu quis fazer. Imaginei a quantidade de vezes que o quiseste ou precisaste e não me o pediste por causa desse teu enorme orgulho. Mas não faz mal.
Quero só que saibas que estarei sempre do teu lado. Pensarei em ti todos os dias da minha vida. Desejarei o nosso "segundo primeiro date" que nunca chegará. Mas tens de ser tu a querer. Eu cansei um pouco do teu silêncio e que me trates mal quando falamos. Eu estive a nossa relação a pensar sempre muito bem no que dizer para não te magoar. E quando decidi que queria falar contigo para percebermos bem em que ponto estávamos, decidiste da noite para o dia afastar-me!
E se a decisão de me afastar foi tua, então a decisão de me ter por perto terá também de ser tua. Eu tive de me adaptar. Lembras que era suposto ajudares-me com algumas coisas do meu trabalho? Tive de me adaptar. Tive de procurar ajuda em outro sítio. E tenho pena!"
[Mas uma coisa não implica a outra... Podes pedir ajuda!] E riu-se com "segundo primeiro date"
"Lá estás tu a decidir ao que responder e o que não responder! Não é isso que está em causa.
Não leves a mal... Por favor... Peço mesmo que não leves a mal. Sei que te magoei quando me pediste ajuda e eu ri e não ajudei em nada. Acredito que eu até tenha sido das primeiras pessoas em quem pensaste. Mas também me magoaste, quando, de certeza sem pensar, me perguntaste se tinha ido ver a tua ex. Eu fiquei para morrer com aquela mensagem. Ainda por cima nesse dia, até sem o portátil eu fiquei. Tudo ajudou!!
Mas cá estou de pé. A gostar de ti. A conseguir falar contigo. A conter-me para não te abraçar, para não chorar...
Mas o que te quero mesmo pedir é que me digas se entendes a minha decisão de sair por completo da tua vida?"
[O que queres dizer com isso?]
"Que só voltarás a saber de mim, a falar comigo se fores mesmo tu a tomar a iniciativa. Já apaguei o teu contacto da minha lista. Escrevi num papel sem nome e guardei num sítio onde me esquecerei dele. Mas não é o suficiente, pois não?"
[Ainda não estou a perceber!]
"Estás, estás! Peço desde já desculpa por isso. Só quero que saibas que estás gravado em mim, na pele e não só. E estarei aqui, à distância de um telefonema, ou de um SMS. Mas terás de ser tu!! E sei que o teu orgulho não te permitirá nunca tomar a iniciativa de falar comigo, ou de aceitar a minha ajuda! Mas gosto de ti, muito e não haverá nunca um dia em que não me lembrarei disso. Estou aqui para ti. Para o que der e vier. O melhor e o pior!"
[Então é assim? Que termina?]
"Não! É assim que recomeça!"
Adoro-te. Mais do que a própria vida!! Quem me dera poder atravessar este Purgatório de vida de mãos dadas contigo. Sofrer contigo, rir contigo, apoiar-te em todas as tuas conquistas, vibrar com elas. Sei que vais ter muitas. Gostava que te visses como eu te vejo. Como o ser mais cheio de luz e carinho que conheço. Convence-te disso. Gostava de ter tido mais tempo para te dizer isso mais vezes. Gostava de ter tido mais tempo para estar ali ao pé de ti no fim do dia. Algum dia irias acreditar em mim. Gostava de estar ao teu lado quando estivesses quase a desistir, só para te abanar e lembrar que eu estaria sempre ao teu lado para tudo mas para nunca te deixar cair. Quem me dera ter tido mais tempo para perceberes que não és um Chris McCandless, não és um evitante. Quem me dera ter tido mais tempo para perceberes isso, e que como ele, gostaria de estar ao teu lado quando percebesses que a felicidade só existe se partilhada. E eu só queria que partilhássemos a nossa, por curta que tenhas achado que foi. Para mim, foi uma vida a teu lado. Gostava que percebesses isso.
Não imaginas a quantidade de vezes que sonhei com a tua voz a dizer que estavas a vir ter comigo.
A quantidade de vezes que os sonhos eram tão reais que acordava e olhava para o telemovel na esperança de algo que não estava lá.
Estou aqui para ti. Hoje e sempre!!
Go'ti, hoje e sempre, nesta vida e na próxima. O futuro é condicional... Se fizeres, acontece! Se quiseres, acontece!
Beijo-te mais uma vez na boca na esperança que o meu beijo chegue ao teu coração!