sexta-feira, abril 21, 2017

Estágio - Centro Europeu de Línguas

Em meados de Novembro, num dos inúmeros sites de emprego existentes em Portugal, havia um anúncio para um "estágio europeu". Escusado será dizer que concorri de imediato. A resposta não se fez esperar e fui chamado a uma entrevista a Lisboa.
A Dra. (?) Paula Cipriano, foi impecável na informação e prestação de todos os esclarecimentos.
Este estágio, resulta de uma parceria entre várias instituições espalhadas pela Europa e funciona com fundos europeus. Na altura de decidir o meu país de destino, e tendo à escolha França, R.U., Espanha e Itália, a resposta foi imediata. Já não bastava ser um país de língua inglesa, era também um dos países do meu imaginário. Tudo o processo de selecção foi muito rápido, assim como tudo o resto que me permitiria vir e começar o meu estágio. Como "não há Bela sem senão", tive de completar também um curso de formadores, ministrado no C.E.L. a fim de ser considerado elegível (um dos requisitos obrigatórios). Nada de grave, tendo até em conta as minhas anteriores experiências profissionais.
O Centro Europeu de Línguas, em Lisboa, tratou de tudo o que concerne a nossa estadia. Alojamento, viagens, transportes e recebemos uma bolsa mensal para fazer face às nossas despesas de alimentação. (bem jogado com o dinheiro, ainda nos sobra para algumas pequenas extravagâncias, como a viagem que fiz a Glasgow).
Depois de toda a documentação tratada e algumas viagens a Lisboa, no dia 1 de Março cheguei a Londonderry.
A cidade fica no Noroeste da Irlanda do Norte e, é conhecida por razões diversas, sendo que mais marcante é o famoso "Bloody Sunday". É uma cidade relativamente pequena se considerarmos que é a quarta maior da ilha. É atravessada por um rio rico em ceifar vidas a jovens adolescentes. A cidade tem uma das mais elevadas taxas de suicídio jovem de toda a ilha.
No segundo dia, eu, em conjunto com os restantes elementos do grupo de estagiários portugueses, fomos encaminhados para a instituição de acolhimento, que nos deu um breefing sobre a cidade, vida e cultura e locais de trabalho que nos tinham sido designados.

Sou "assistant teacher" na St. Therese's P.S. Lenamore. Uma escola católica (e isso é das coisas que mais me custa no trabalho).
O ambiente educativo é fantástico. As condições são absolutamente fantásticas. As pessoas, funcionários, alunos e professores, têm sido incansáveis em fazer com que me sinta extremamente confortável.


Escusado será dizer que nem só de trabalho vive o homem. Aproveitamos sempre para as nossas viagens e passeios, bem como para umas saídas nocturnas.


Como disse recentemente nas redes sociais, os locais não bebem tanto como o povo português, mas são (dos que conheço), muito mais amistosos e divertidos. Estão constantemente em festa e não têm problemas nenhuns em meter conversa com qualquer pessoas que lhes pareça estranha. Aconteceu comigo :D


Tive a sorte de chegar no dia 1 de Março e estar por cá durante as celebrações do St. Patrick's Day. Em suma, é uma espécie de desfile carnavalesco. Até aqui nada de muito diferente dos desfiles em Portugal. Mas, assim que acaba a "parade", o povo junta-se em festa em tudo o que é espaço de diversão. Os pubs e os bares enchem-se de gente que celebra o santo responsável pela evangelização da ilha.

(Peço desculpa pela qualidade do vídeo)

domingo, março 05, 2017

Londonderry - Derry - Doire

Já lá vai o tempo em que fazia confusão enorme aos locais a utilização do nome "Londonderry". Em verdade se diga: Coitados, nacionalistas como "eram" e ainda tinham de gramar a pastilha com o nome de "London" no seu próprio nome :)
Escrevo anteriormente "eram" por uma razão muito simples - começo a notar uma indiferença em relação a tudo o que é Inglês. E as pessoas nem se preocupam muito em explicar ou defender a sua luta pela independência.

Há no entanto algo que me assusta. Cheguei na Quarta-feira à noite e as eleições para o parlamento da Irlanda do Norte ocorreram logo no dia seguinte. O Sinn Féin recuperou muitos dos votos perdidos em eleições ao longo dos últimos 20anos. O discurso do presidente do partido parece dar a entender que o regresso do IRA pode estar para breve.

"Anyways":
Cheguei! Cheguei bem! Já explorei uma parte da cidade. É fantástica. É atravessada pelo rio Foyle. Tem uma cidade muralhada, um bocado à semelhança de Óbidos, e a cidade cresceu à volta dessa muralha.
Escusado será dizer que, como já viram no Fb, já tive de "ir para os copos". Pessoas super animadas, que sabem mesmo como se divertir. Bebem que se fartam. As idades das pessoas que encontrei nestes espaços, vão dos 18 aos 80(!) anos. E até agora, as pessoas mostram-se preocupadas em perceber como nos podem ajudar. Ou não falam "gaelic", ou tentam falar mais devagar, ou tentam reduzir o sotaque. Ou seja: "so far, so good!"

terça-feira, janeiro 24, 2017

"T minus 34 days"

Esta ideia da contagem decrescente é difícil de levar até ao fim.
Parece que todos os dias, o meu pensamento é único e sempre o mesmo. Torna-se difícil contar os dias. Cá por mim podia ser já amanhã. Mas, e se fosse já amanhã? Ainda não tenho nada pronto. Ainda não me mentalizei. Tenho a lista pronta. Tenho algumas coisas compradas que sei que precisarei. Mas ainda há tantas outras que tenho adiado. Talvez para me esquecer que vou partir numa aventura.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

"T minus 35 days"

Um dia se passou e as dúvidas subsistem.
O que levar? Problemas do sistema monetário - troco, ou não?
É sempre uma chatice. Vou só por dois meses, faço uma lista de coisas indispensáveis que tenho mesmo de levar. "3 kg são muita coisa, mas parece tão pouco.
Se há coisa que não quero fazer, é levar a casa toda às costas!!

domingo, janeiro 22, 2017

"T minus 36 days"

Faltam 36 dias para embarcar em mais uma aventura! Acho que ainda não tive tempo para criar muitas expectativas. Ainda não sei bem se estou com receio do que vou encontrar, ou se estou super excitado pela partida e oportunidade que se me foi presenteada.
Sei no entanto que é isto que quero fazer. Sei de certeza que vou para desempenhar as minhas funções com o brio e responsabilidade que me foram reconhecidas em todos os trabalhos que já fiz.

sábado, novembro 05, 2016

um par de Colhões, não um par de orelhas

Não é esperado que este texto seja lido. É, no entanto, esperado que seja escrito!

São as histórias de sonhos destroçados por falta de coragem e, por uma Educação deficitária.
A falta de coragem não é minha. E a Educação não é a que os meus pais de deram. É a falta de coragem de classes políticas e de um sistema de ensino que caminha para um abismo.

Por altura da discussão do processo de Bolonha, fui um dos que nunca acreditou que trouxesse benefícios ao Ensino Superior português. Antes pelo contrário. Sou daqueles que (quer) acredita(r) que ainda temos um dos melhores ensinos do mundo. Os professores são excepcionais, as matérias são boas e adequadas. Os alunos saem muito bem preparados em termos intelectuais. Em jeito de brincadeira, os portugueses, da esquerda à direita, são informados e sabem que é mau um Trump à frente de uma América. São intelectuais! Mas as constantes reformas que se vêm após Bolonha, fazem-me crer que isto acabará. Uma adequação de um currículo de estudos a uma Europa, também ela a fragmentar-se, perdoem-me mas, só pode dar merda!

Eu entrei para a faculdade em 2000. Pré-Bolonha. É verdade. Fui conas! Devia ter feito o curso à primeira. Mas preferi andar a passear livros, a beber copos e a namoriscar. Depois "tive" de deixar de estudar e entrou em vigor em Portugal o ensino de Bolonha. Cadeiras e notas desapareceram. Cadeiras e notas apareceram. E eu fiquei sem saber bem o que fazer ou o que devia fazer. Um curso de 4anos, passou a 3. E saídas? No meu caso, como em muitos outros casos, as faculdades, universidades e ministérios, começaram a casa pelo telhado. Por mais que procure, indague, pesquise e pergunte, não encontro utilidade absolutamente alguma para o meu "canudo". E isto desmoraliza qualquer um. Ainda para mais porque os meus últimos anos saíram-me do corpo (literalmente) e não do "pai/mãetrocínio". Não quero desdizer de quem tem/pode ter os pais a financiar. Ainda bem que uma sociedade tem ricos e pobres (!), mas quero com isto dizer que entra aqui a falta de coragem. Era muito mais simples fechar de imediato os cursos para os quais NÃO HÁ saídas profissionais. Eu teria ficado a perder, mas ao menos sabia que havia coragem de alguém para...
Digam-me para mudar de área. Ser empreendedor. Não me importo. Mas isso aplica-se a um ensino profissional. Não a um ensino dito regular. Portugal foi durante anos o "país dos doutores". É hoje o "país dos técnicos". Temos técnicos super hiper mega qualificados o que tem repercussões na sua procura pelo mercado de trabalho internacional. Mas se hoje em dia não fores um técnico, temos pena...
Estuda! Aprofunda os teus conhecimentos! Perceberás que te desenvolves em termos intelectuais em em termos de desenvolvimento enquanto ser humano! Perceberás assim qual o teu lugar no mercado de trabalho! Talvez. Mas quem me financia? A Lei da Autonomia das Universidades, concede-lhes o direito de fixarem o valor das propinas. Sabemos que o valor máximo, em alguns casos, não chega para fazer face a todas as despesas. E a culpa é de quem? Minha não de certeza! Despedimentos, incentivos à fixação de estudantes, benefícios sociais, são tudo tabus dentro de um senado ou reitoria. Podes concorrer a uma Bolsa! Pois posso. Mas não posso estar a trabalhar. E se vem recusada? Em vez de um "borracho", fico sem pombos! Pedia coragem, mas se a minha me abandonou o ano passado, verdade que a de muitos fugiu há muito mais tempo.

Hoje em dia um aluno sai do secundário e vai para o superior. Escolhe o curso. Dentro da sua área de estudos tem de efectuar (com aproveitamento) um certo número de "créditos" (ainda não percebi o nome, será que alguém me deve alguma coisa? Tenho cento e tal créditos efectuados!). O mais engraçado é o que volume de créditos maior, pode ser efectuado fora da sua área de estudos. Vejamos por exemplo (e não sei quais os valores em número): Um aluno entra para Matemática. Para ter direito ao seu diploma, a juntar ao facto de não poder ter propinas atrasadas, tem de completar 120 créditos. Desses 120, 40/50, têm de ser dentro da área da Matemática, seja em Álgebra, ou Matemática Aplicada a ... Os restantes 70/80 créditos, podem ser efectuados em Iniciação ao Russo (!), ou Introdução ao Direito Penal (!). A ideia, dizem, é dotar os alunos de saberes abrangentes que lhes permita competir num mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Pois, mas eu queria Matemática! Ah, ok! Não sei quanto é 1+1, mas sei quantos anos de cadeia posso apanhar se não pagar os meus impostos.

Meus amigos, VÃO-SE FODER!!!! Continuem a adorar partidos e cores partidárias. Continuem a cultivar uma cultura de bajulação e esqueçam a "meritocracia".
Um dia, teremos um "Trump" em Portugal e andaremos todos "ó tio, ó tio, ó tio...". Nesse dia, em que percebermos que somos uma cambada de "burrinhos" que gostamos de copiar o que de bom se faz fora, sem estudar as consequências da sua aplicação a uma realidade económico-social como a nossa, talvez nesse dia nos cresçam um par igual aos do burro. Mas um par de Colhões, não um par de orelhas!!

terça-feira, setembro 06, 2016

Eu sabia

Eu sempre soube que ia morrer cedo. Ainda pensei que fosse com a idade de Cristo. Talvez para me convencer que seria melhor!

A minha alma vagueia sem destino. Vejo-me pendurado na trave. Vejo o mundo com mais clareza agora. Mas não consigo encontrar as falhas no meu destino.Onde raio estava o cruzamento onde me enganei a virar que me levou a este (in)feliz desfecho? Será que me enganei mesmo a virar em algum lado, ou tudo se conjugou para neste momento eu me encontrar inerte, com as mãos presas por cordas grossas que me arranham os pulsos como amarras de navios aportados em um cais?