terça-feira, janeiro 21, 2020

A pior das sensações volta - parte três mil cento e vinte e quatro e meio

Era noite escura.

Ela saiu de casa para um café. Saiu de casa, bem arranjada e perfumada. Era um dia como todos os rotineiros dias em que a vida se torna - por mais que não o quisesse.

Ao fechar a porta de casa, sentiu um frio, quase gelado de neve que lhe subiu e desceu todo o corpo. Era um dia de Verão. Como podia? "Foi só um calafrio" - pensou. Mas porquê? Olhou o telefone para confirmar qualquer negra notícia. Mas o telemóvel encontrava-se como a noite, negro!

E andou. Não pensou mais naqueles cabelos que, momentos antes, se haviam levantado como uma grande floresta. Mas pensava no café!

Acendeu o cigarro. Como de costume, puxa o cigarro, coloca-o gentilmente na boca e ri-se de pensar que havia algo de diferente. Sabia o que era, mas nem pensou. O isqueiro em seguida. Rodou a pedra e um pequeno clarão rasga a escuridão. Aquela chama, dançarina, protegida por uma mão, procurou a ponta do cigarro e, assim que os dois elementos se encontraram, naquele instante, inspirou, sentiu aquele fumo de cigarro digestivo rodar dentro da boca, conhecendo todas as papilas e apalpando todos os dentes e sorriu. Sorriu porque a imagem do cigarro que se juntava à chama a fazia lembrar os encontros amorosos. Pensou em dois amantes separados que só por forças externas se podiam encontrar. Mas aquele sorriso, depressa se escondeu com a tristeza daquele encontro fugaz. Será que aquele encontro de milésimos de segundo fazia valer a separação que se avizinhava ainda antes de se beijarem?

Gostava de caminhar a fumar. Distraía-a. Sempre que o fazia, o seu passo acelerado do dia, era substituído por um mais lento, semelhante às nocturnas horas. Apreciava as estrelas e a brisa que lhe tocava o rosto, como quem esconde uma lágrima. E lá teve que enconchar a mão para proteger aquela fonte de calor e impedir que se extinguisse mais cedo que tarde. Achou piada aos barulhos. Parecia que estava mais atenta, pois ouvia sons que lhe pareciam estranhos. Ao virar o canto da rua, a torre da igreja, apareceu-lhe imponente, fálica, virada para a Lua - o café estava perto. E o amante da chama chegava ao fim. Rodou-lhe a ponta até ficar só com o filtro na mão. Despejou aquele falecido no lixo, massajou o tapete de entrada com os pés, a cabeça baixada, mostrando o respeito e a cordialidade de quem entra em espaço que não seu. Levantou a cabeça, rodou-a a procurar uma amiga, com quem não tinha combinado nada e,

O espaço tinha ficado vazio. Onde estavam os amontoados de corpos que tinha visto? A música? O mundo desaparecera!
"Puta que pariu!!! - gritou com o megafone mental. "Outra vez?" - berrou surdamente. O calafrio... Lembrou-se do calafrio.

segunda-feira, abril 29, 2019

Shatter

And the house is empty again.

It's when darkness comes that the mind flows. The day came to an end. The work is done.. today's and tomorrow's.

And I started thinking about writing. I love doing it but, a writer's block always comes. And so, my fingers slide through, up, on the keyboard and letters join to form words. Disconnected words join to make sentences, but the ideas still fly, and the sentences become non-sense texts about absolutely nothing.

I am thinking of Assessment Worksheets. Parts and times and timetables and the end of the school year is near, Ffs… the end is near!

And listening to music. I always listen to music when writing. It's nice. It's relaxing. But sometimes, one absolutely random music pops to bring memories. Ghosts from the past.

The best weeks are this ones. The ones one starts thinking of "songs of ice and fire". I like them. They are my own way of meditating.

I wish I could remember my first memory. I would like to describe it to you. But I can only remember the lack of …. the lack of… the lack of… I can't even remember what lacked me whilst a youngster.


It's a funny thing.. Last week I dreamt of you. It's always the same dream. We were walking around somewhere, together. Holding hands. You looked at me, I stared at you and your face vanished and I shattered. But, despite being broken I could still sing:

"Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall;
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put Humpty together again."

sábado, novembro 17, 2018

My.. mine.. hers

Looking at this freaking huge, empty house is scary. Not scary like "Scary Movie" - I haven't got a dumb serial killer after me hiding behind the curtains - but like drama scary.

A physical emptiness can, may, and most definitively, will have repercussions in one's state of mind. One starts feeling "saudades".
That means that we start missing "when", "where", "why" or even "who", and this is me trying to come back to grammar.

But this time I began thinking about demonstratives. I was thinking about "My" ex-, and realised that these small possessive adjectives are quite difficult to teach. We do not have "adjectivos possessivos" and they always come before nouns. And they give a possessive characteristic to someone or something. But it's still always strange. Was he/she/it ever our possession?
So I jumped to thinking he/she/it was "Mine". Now, here, in this case, we do have possessive pronouns. And we can move them along inside the sentence. But in English they are used to show that something belongs to someone. So the "mother is mine", because they always follow the verb.

And she left because of that.. She was a "personal subject".. She knew she was no one's belongings. She was no object and I wasn't hers.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Memories

I was going through that new thing in Facebook - "Memories" - and I came across with a very old one. The oddest thing is that when I saw it was from eight years ago, I started thinking of where, when and why and...

Wh- questions are sometimes hard to explain to students learning English as a Second Language. One might think it's easy, but we use it like socks.
Now go and try explain 12/13 year-old kids that where is for places and when is for time and why is reason and who is… who is just who. It's not an easy task.

I think that I was living near Rio Arunca at the time. That would be the WHERE. A place in town that leads us right to the river bank. And I don't mean the one where you save your Money even though that would still be a "where".
It was so many years ago I cannot actually remember. I was younger than I am today. I was dating a girl. I had just dropped university. I wrote something to her and that was actually the "memory". This may be the WHEN. The time I wrote the "memoir".
And the fuckin WHY I wrote the piece of shit just is out of my rememberance. I thought I was in love. Or am sure I was? And needed to let her know that. Why? I wasn't sure of anything and neither was she.

And the years went by. And a memory came to haunt. Are all memories a ghost? They may as well be, but I ain't no Ghostbuster to trap them down and recycle them. I live with those ghosts.. Some I can play with, others I...

quarta-feira, agosto 29, 2018

O Amor é cego (mas ainda tem idade)

Há anos… há muitos anos atrás, numa altura de felicidade relativa, de reis e rainhas, príncipes e princesas, o mundo era um conto de fadas e todos viviam cegos e seguros dessa felicidade relativa. Era a Idade da Utopia.
Eram tempos em que o Homem regia a sua vida segundo as leis dessa felicidade relativa. Podiam comer o que quisessem. Beber o que quisessem, pegar o que quisessem. E ninguém dizia nada. E um dia todos eram reis e rainhas, príncipes e princesas.
E as relações eram do mais honestas possíveis. Só se era amigo até um se fartar. E quando se fartasse, dizia e escolhia outro amigo. O mesmo se passava com os homens e as mulheres. Não havia matrimónio, nem igreja. Ninguém se casava. Não havia necessidade. Relações duradouras não existiam. A vida era como é, feita de experiências. E essas experiências levavam a partilhas quase obrigatórias de vivências, de pessoas. Mas não havia a noção de Amor. Ninguém amava. Seria essa a razão de todos viverem em felicidade relativa?


Mas um dia tudo mudou. Mas porquê? Como? O que se passou? Conta-nos!!

O que se passou?! Simples! A escrita apareceu. E os poetas começaram a olhar para lua e a chamá-la de amor. Olharam para as flores e chamavam por alguém que lhes aparecia distante. E viam riachos e ansiavam que a Lídia se sentasse à sua beira. E começou o sofrimento. O Homem começou a procurar companhia permanente. E apareceram os primeiros ladrões. Primeiro roubaram corações. Mais tarde roubaram bancos. Os reis e rainhas, príncipes e princesas não trocaram mais, antes trocaram entre eles.
E se antes o Amor não existia, como que quisessem que não nos esquecêssemos de tempos de felicidade relativa, foi nos dito que o Amor continua cego, que não escolhe cor, nem género, nem idade.

E então? Como acaba?


Acaba quando de vez em quando nos cruzamos com uma dessas pessoas. Alguém que amamos e que nos ama de volta sem conhecer a cor da nossa pele, mas antes a cor da nossa alma. Sem olhar para o nosso género, mas antes para o tipo de confiança que transmitimos. Que nos diz que a nossa idade é a idade da vida que quer passar connosco.


Que bonito!


É mesmo? Terei contado isto bem ou a história é ao contrário?

terça-feira, fevereiro 27, 2018

Palavras, leva-as o vento



É difícil. Nem imaginas o quanto! Achas que podes fazer uma ideia, mas não sabes. Não consegues medir. Não há racionalidade nenhuma, nem ciência, nem medida que possa sequer dar uma ideia do quão difícil é.
Escrevo-te agora o que há muito me havia prometido dizer. Mas não sei se seria capaz de te dizer o que me preparo para te escrever. Frente a frente, não diria nada do que devo. E ficaram algumas coisas por te dizer.
Se não fui capaz de te entregar o teu presente, por alguma razão foi. Foi por não ser capaz, nem querer estar junto a ti. Por saber que ia tremer. Que me ia engasgar, sufocar, acelerar o coração, enervar-me e apaixonar-me novamente. Sim!!! Apaixonar-me! Deixar que me cativasses novamente. Baixar a guarda e levar novamente o rude golpe. Aquele golpe de misericórdia que antes faltou.

Escolhi esta música por serem estas as palavras que devia ter dito e não cheguei a dizer. Não que agora façam qualquer tipo de diferença. Mas pronto... Também sou lamechas e gosto da música.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Em 1343

"Às vezes o Amor..." faz parte da letra e da canção com o mesmo nome de Sérgio Godinho.

Acontece com facilidade e alguma frequência, até. Aquela ideia de paixão, felicidade e "até que a morte os separe" começou a fazer parte da imaginação e mesmo dos sonhos. Começa a ser algo cada vez mais dos contos de fadas do que da realidade.

Faz alguns anos - alguns mesmo - a epifania atingiu-me! Chegou de mansinho, colocou um pé à minha frente e empurrou pelas costas com tal força que caí estatelado. Mas foi essa mesma queda que fez com que a ilusão se tornasse realidade.
Primeiro vi que é pelas costas que a vida chega. Ou para nos dar o empurrão que faltava, aquela coragem que não sabíamos que existia, ou para nos empurrar em direcção ao abismo. De qualquer das maneiras, é sempre pelas costas.
Em segundo lugar, serviu para ver que o desejo é fútil. Só ama que não tem mais nada que fazer! Mas também só se apaixona, quem tem coragem para isso. E a minha foi-se..

A última vez que me apaixonei foi em 1343!

sábado, agosto 19, 2017

Uma no cravo e outra na ferradura

Ora muito bom dia, boa tarde, boa noite ou boas férias, bom fim-de-semana ou boa semana!

Já há algum tempo que andava para escrever sobre isto. Quanto mais não seja pelas perguntas que me têm feito, pelas propostas ou pelos convites.
E com este pequeno texto, remeto-me novamente ao silêncio, no que a considerações políticas diga respeito.

No que toca a política nacional, nada mais há (para mim e por mim, a dizer). Acho que todos os analistas políticos já fizeram o seu trabalho. Acho que todos os "treinadores de bancada" definiram as suas tácticas. Ou seja, nada sobra para dizer - já se disse tudo dos incêndios de Pedrógão, das mortes na EN 236-1, das falhas do SIRESP, dos pedidos de responsabilidade, dos pedidos de demissão, das férias do "Primeiro", ou a falta do informação do "segundo". Talvez por isso seja tão fácil fazer uma campanha eleitoral nacional. Descobrem-se as falhas de um e de outro, mandam-se umas "larachas" e está a campanha feita. Ganha o político mais estúpido, com o pior projecto eleitoral, mas que melhor se serve das falhas do adversário. Acho que sempre me lembro de assim ser. Mas lá está.. Política nacional à parte, falo da local.

Na minha "santa terrinha" há uma carrada de candidatos, da direita à esquerda, de cima a baixo, do centro independentes e dos independentes centro. Por cá, faz tempo que deixei de votar no(s) partido e passei a votar na pessoa, ou pelo menos no que melhor programa eleitoral me consegue apresentar.

Assim, para a CMP, de entre os candidatos Eng. Narciso, Presidente Diogo e Candidatos Sidónio e Claro, a análise é simples. A CMP continuará quase sem dúvida a ser "laranja". O CDS e o PS não têm expressão num concelho que há anos é "brainwashed" por uma máquina política tão bem oleada. Reconheço todo o mérito ao Sidónio. Privei com ele várias vezes, sei bem do que é capaz. Mas infelizmente não é candidato pelo PSD. O Eng. Claro é o candidato do PS.
Enquanto o PS de Pombal se encontrar no mesmo marasmo dos últimos 25 anos, não me parece que algum dia saia da "cepa torta"! Uma enorme palavra de apreço ao Eng Claro pela coragem demonstrada em assumir este desafio, mas infelizmente não é candidato pelo PSD.
A luta resumir-se-à (e perdoem-me os pequenos independentes por aí, mas também sabem que é verdade o que digo) ao candidato Eng. Narciso e ao actual presidente Diogo.
Tive/tenho uma relação de particular carinho pelo actual presidente. Reconheço uma obra feita e trabalho ao Eng Narciso. Mas isso não chega! Para nenhum dos dois. O Eng, fez questão de bater com a porta na cara do partido que o criou. SIM!! O criou!! O actual segue com os mesmos erros do anterior. Poderia enumerar milhares, mas refiro sempre as pessoas de quem os candidatos a presidentes pelo PSD são rodeados. Sinceramente, não sei (mas deveria saber) quem escolhe os candidatos a vereadores. Se é o Candidato ou o partido. Se é o candidato, deve pensar melhor nas escolhas que faz. Se é o partido, então "boys for the jobs"!
(Que me perdoem os rapazes e raparigas, homens e mulheres do BE e da CDU, mas não sei mesmo nada de nenhum dos candidatos ou dos programas)

Relativamente à JFP, é tudo mais fácil. O PSD apresentou o candidato ideal para que não restem dúvidas quanto aos resultados.
Dos candidatos, menciono apenas três: Sílvia João (CDS), Aníbal Cardona (PS) e Pedro Pimpão (PSD).
A Sílvia, conheci-a há alguns dias atrás. Conheço, e sou amigo de alguns dos integrantes da lista há vários anos. Sei do que são capazes. Aos que conheço, sei que são pessoas capazes da abnegação requerida pelo cargo político a que se candidatam. Sei que são trabalhadores e sonham com uma freguesia de Pombal unida em prol de um bem comum.. O bem-estar dos seus fregueses, homens e mulheres, rapazes e raparigas, ricos e pobres do PSD, do PS ou de qualquer outro partido político.
O candidato do PS, é alguém que conheço há alguns anos. Tivemos conversas de café, mas nunca sobre política. Soube este ano e nestas eleições que "é do" PS. (Este é o erro do PS, ninguém sabe bem quem são, ou são sempre os mesmos). Tem uma vida profissional estável, mas que mais posso dizer sobre isso?! Não é a sua profissão que me pode dizer se é ou não bom político. Um abraço para ele, e à semelhança do Eng Claro, gabo-lhe a coragem de se assumir como candidato nesta altura!
Por último, sobra o Pedro Pimpão. Cresci com ele, entrei para as direcções da Escola Secundária pela sua mão. Entrei para a JSD e várias direcções pela sua mão, mas terá também sido pelo seu "mindinho" que me afastei de qualquer lide política. A determinada altura é pedido que usemos "palas". E isso eu não sou capaz. Posso "comer a cenoura", mas não me peçam para dar o passo em frente à beira do abismo.
O Pedro fez trabalhos notáveis enquanto presidente de AE/ESP e enquanto presidente da JSD. Mas a minha "ignóbil" opinião é a de que na altura ele sabia bem quem eram as pessoas que deviam estar com ele. E essas seguiam-no. É um líder quase por natureza. Consegue colar fracturas!
Não acompanhei o seu percurso na A.R. Do que sei, fez parte de algumas Comissões Parlamentares, dando sempre o seu contributo. Bem.. Muito bem!
É o candidato da continuação, no entanto. Veremos se a "nossa" freguesia continuará igual!

A todos os candidatos, desejo um bom início de campanha, uma boa campanha e que ganhe o melhor!

sexta-feira, abril 21, 2017

Estágio - Centro Europeu de Línguas

Em meados de Novembro, num dos inúmeros sites de emprego existentes em Portugal, havia um anúncio para um "estágio europeu". Escusado será dizer que concorri de imediato. A resposta não se fez esperar e fui chamado a uma entrevista a Lisboa.
A Dra. (?) Paula Cipriano, foi impecável na informação e prestação de todos os esclarecimentos.
Este estágio, resulta de uma parceria entre várias instituições espalhadas pela Europa e funciona com fundos europeus. Na altura de decidir o meu país de destino, e tendo à escolha França, R.U., Espanha e Itália, a resposta foi imediata. Já não bastava ser um país de língua inglesa, era também um dos países do meu imaginário. Tudo o processo de selecção foi muito rápido, assim como tudo o resto que me permitiria vir e começar o meu estágio. Como "não há Bela sem senão", tive de completar também um curso de formadores, ministrado no C.E.L. a fim de ser considerado elegível (um dos requisitos obrigatórios). Nada de grave, tendo até em conta as minhas anteriores experiências profissionais.
O Centro Europeu de Línguas, em Lisboa, tratou de tudo o que concerne a nossa estadia. Alojamento, viagens, transportes e recebemos uma bolsa mensal para fazer face às nossas despesas de alimentação. (bem jogado com o dinheiro, ainda nos sobra para algumas pequenas extravagâncias, como a viagem que fiz a Glasgow).
Depois de toda a documentação tratada e algumas viagens a Lisboa, no dia 1 de Março cheguei a Londonderry.
A cidade fica no Noroeste da Irlanda do Norte e, é conhecida por razões diversas, sendo que mais marcante é o famoso "Bloody Sunday". É uma cidade relativamente pequena se considerarmos que é a quarta maior da ilha. É atravessada por um rio rico em ceifar vidas a jovens adolescentes. A cidade tem uma das mais elevadas taxas de suicídio jovem de toda a ilha.
No segundo dia, eu, em conjunto com os restantes elementos do grupo de estagiários portugueses, fomos encaminhados para a instituição de acolhimento, que nos deu um breefing sobre a cidade, vida e cultura e locais de trabalho que nos tinham sido designados.

Sou "assistant teacher" na St. Therese's P.S. Lenamore. Uma escola católica (e isso é das coisas que mais me custa no trabalho).
O ambiente educativo é fantástico. As condições são absolutamente fantásticas. As pessoas, funcionários, alunos e professores, têm sido incansáveis em fazer com que me sinta extremamente confortável.


Escusado será dizer que nem só de trabalho vive o homem. Aproveitamos sempre para as nossas viagens e passeios, bem como para umas saídas nocturnas.


Como disse recentemente nas redes sociais, os locais não bebem tanto como o povo português, mas são (dos que conheço), muito mais amistosos e divertidos. Estão constantemente em festa e não têm problemas nenhuns em meter conversa com qualquer pessoas que lhes pareça estranha. Aconteceu comigo :D


Tive a sorte de chegar no dia 1 de Março e estar por cá durante as celebrações do St. Patrick's Day. Em suma, é uma espécie de desfile carnavalesco. Até aqui nada de muito diferente dos desfiles em Portugal. Mas, assim que acaba a "parade", o povo junta-se em festa em tudo o que é espaço de diversão. Os pubs e os bares enchem-se de gente que celebra o santo responsável pela evangelização da ilha.

(Peço desculpa pela qualidade do vídeo)

domingo, março 05, 2017

Londonderry - Derry - Doire

Já lá vai o tempo em que fazia confusão enorme aos locais a utilização do nome "Londonderry". Em verdade se diga: Coitados, nacionalistas como "eram" e ainda tinham de gramar a pastilha com o nome de "London" no seu próprio nome :)
Escrevo anteriormente "eram" por uma razão muito simples - começo a notar uma indiferença em relação a tudo o que é Inglês. E as pessoas nem se preocupam muito em explicar ou defender a sua luta pela independência.

Há no entanto algo que me assusta. Cheguei na Quarta-feira à noite e as eleições para o parlamento da Irlanda do Norte ocorreram logo no dia seguinte. O Sinn Féin recuperou muitos dos votos perdidos em eleições ao longo dos últimos 20anos. O discurso do presidente do partido parece dar a entender que o regresso do IRA pode estar para breve.

"Anyways":
Cheguei! Cheguei bem! Já explorei uma parte da cidade. É fantástica. É atravessada pelo rio Foyle. Tem uma cidade muralhada, um bocado à semelhança de Óbidos, e a cidade cresceu à volta dessa muralha.
Escusado será dizer que, como já viram no Fb, já tive de "ir para os copos". Pessoas super animadas, que sabem mesmo como se divertir. Bebem que se fartam. As idades das pessoas que encontrei nestes espaços, vão dos 18 aos 80(!) anos. E até agora, as pessoas mostram-se preocupadas em perceber como nos podem ajudar. Ou não falam "gaelic", ou tentam falar mais devagar, ou tentam reduzir o sotaque. Ou seja: "so far, so good!"

terça-feira, janeiro 24, 2017

"T minus 34 days"

Esta ideia da contagem decrescente é difícil de levar até ao fim.
Parece que todos os dias, o meu pensamento é único e sempre o mesmo. Torna-se difícil contar os dias. Cá por mim podia ser já amanhã. Mas, e se fosse já amanhã? Ainda não tenho nada pronto. Ainda não me mentalizei. Tenho a lista pronta. Tenho algumas coisas compradas que sei que precisarei. Mas ainda há tantas outras que tenho adiado. Talvez para me esquecer que vou partir numa aventura.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

"T minus 35 days"

Um dia se passou e as dúvidas subsistem.
O que levar? Problemas do sistema monetário - troco, ou não?
É sempre uma chatice. Vou só por dois meses, faço uma lista de coisas indispensáveis que tenho mesmo de levar. "3 kg são muita coisa, mas parece tão pouco.
Se há coisa que não quero fazer, é levar a casa toda às costas!!

domingo, janeiro 22, 2017

"T minus 36 days"

Faltam 36 dias para embarcar em mais uma aventura! Acho que ainda não tive tempo para criar muitas expectativas. Ainda não sei bem se estou com receio do que vou encontrar, ou se estou super excitado pela partida e oportunidade que se me foi presenteada.
Sei no entanto que é isto que quero fazer. Sei de certeza que vou para desempenhar as minhas funções com o brio e responsabilidade que me foram reconhecidas em todos os trabalhos que já fiz.

sábado, novembro 05, 2016

um par de Colhões, não um par de orelhas

Não é esperado que este texto seja lido. É, no entanto, esperado que seja escrito!

São as histórias de sonhos destroçados por falta de coragem e, por uma Educação deficitária.
A falta de coragem não é minha. E a Educação não é a que os meus pais de deram. É a falta de coragem de classes políticas e de um sistema de ensino que caminha para um abismo.

Por altura da discussão do processo de Bolonha, fui um dos que nunca acreditou que trouxesse benefícios ao Ensino Superior português. Antes pelo contrário. Sou daqueles que (quer) acredita(r) que ainda temos um dos melhores ensinos do mundo. Os professores são excepcionais, as matérias são boas e adequadas. Os alunos saem muito bem preparados em termos intelectuais. Em jeito de brincadeira, os portugueses, da esquerda à direita, são informados e sabem que é mau um Trump à frente de uma América. São intelectuais! Mas as constantes reformas que se vêm após Bolonha, fazem-me crer que isto acabará. Uma adequação de um currículo de estudos a uma Europa, também ela a fragmentar-se, perdoem-me mas, só pode dar merda!

Eu entrei para a faculdade em 2000. Pré-Bolonha. É verdade. Fui conas! Devia ter feito o curso à primeira. Mas preferi andar a passear livros, a beber copos e a namoriscar. Depois "tive" de deixar de estudar e entrou em vigor em Portugal o ensino de Bolonha. Cadeiras e notas desapareceram. Cadeiras e notas apareceram. E eu fiquei sem saber bem o que fazer ou o que devia fazer. Um curso de 4anos, passou a 3. E saídas? No meu caso, como em muitos outros casos, as faculdades, universidades e ministérios, começaram a casa pelo telhado. Por mais que procure, indague, pesquise e pergunte, não encontro utilidade absolutamente alguma para o meu "canudo". E isto desmoraliza qualquer um. Ainda para mais porque os meus últimos anos saíram-me do corpo (literalmente) e não do "pai/mãetrocínio". Não quero desdizer de quem tem/pode ter os pais a financiar. Ainda bem que uma sociedade tem ricos e pobres (!), mas quero com isto dizer que entra aqui a falta de coragem. Era muito mais simples fechar de imediato os cursos para os quais NÃO HÁ saídas profissionais. Eu teria ficado a perder, mas ao menos sabia que havia coragem de alguém para...
Digam-me para mudar de área. Ser empreendedor. Não me importo. Mas isso aplica-se a um ensino profissional. Não a um ensino dito regular. Portugal foi durante anos o "país dos doutores". É hoje o "país dos técnicos". Temos técnicos super hiper mega qualificados o que tem repercussões na sua procura pelo mercado de trabalho internacional. Mas se hoje em dia não fores um técnico, temos pena...
Estuda! Aprofunda os teus conhecimentos! Perceberás que te desenvolves em termos intelectuais em em termos de desenvolvimento enquanto ser humano! Perceberás assim qual o teu lugar no mercado de trabalho! Talvez. Mas quem me financia? A Lei da Autonomia das Universidades, concede-lhes o direito de fixarem o valor das propinas. Sabemos que o valor máximo, em alguns casos, não chega para fazer face a todas as despesas. E a culpa é de quem? Minha não de certeza! Despedimentos, incentivos à fixação de estudantes, benefícios sociais, são tudo tabus dentro de um senado ou reitoria. Podes concorrer a uma Bolsa! Pois posso. Mas não posso estar a trabalhar. E se vem recusada? Em vez de um "borracho", fico sem pombos! Pedia coragem, mas se a minha me abandonou o ano passado, verdade que a de muitos fugiu há muito mais tempo.

Hoje em dia um aluno sai do secundário e vai para o superior. Escolhe o curso. Dentro da sua área de estudos tem de efectuar (com aproveitamento) um certo número de "créditos" (ainda não percebi o nome, será que alguém me deve alguma coisa? Tenho cento e tal créditos efectuados!). O mais engraçado é o que volume de créditos maior, pode ser efectuado fora da sua área de estudos. Vejamos por exemplo (e não sei quais os valores em número): Um aluno entra para Matemática. Para ter direito ao seu diploma, a juntar ao facto de não poder ter propinas atrasadas, tem de completar 120 créditos. Desses 120, 40/50, têm de ser dentro da área da Matemática, seja em Álgebra, ou Matemática Aplicada a ... Os restantes 70/80 créditos, podem ser efectuados em Iniciação ao Russo (!), ou Introdução ao Direito Penal (!). A ideia, dizem, é dotar os alunos de saberes abrangentes que lhes permita competir num mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Pois, mas eu queria Matemática! Ah, ok! Não sei quanto é 1+1, mas sei quantos anos de cadeia posso apanhar se não pagar os meus impostos.

Meus amigos, VÃO-SE FODER!!!! Continuem a adorar partidos e cores partidárias. Continuem a cultivar uma cultura de bajulação e esqueçam a "meritocracia".
Um dia, teremos um "Trump" em Portugal e andaremos todos "ó tio, ó tio, ó tio...". Nesse dia, em que percebermos que somos uma cambada de "burrinhos" que gostamos de copiar o que de bom se faz fora, sem estudar as consequências da sua aplicação a uma realidade económico-social como a nossa, talvez nesse dia nos cresçam um par igual aos do burro. Mas um par de Colhões, não um par de orelhas!!

terça-feira, setembro 06, 2016

Eu sabia

Eu sempre soube que ia morrer cedo. Ainda pensei que fosse com a idade de Cristo. Talvez para me convencer que seria melhor!

A minha alma vagueia sem destino. Vejo-me pendurado na trave. Vejo o mundo com mais clareza agora. Mas não consigo encontrar as falhas no meu destino.Onde raio estava o cruzamento onde me enganei a virar que me levou a este (in)feliz desfecho? Será que me enganei mesmo a virar em algum lado, ou tudo se conjugou para neste momento eu me encontrar inerte, com as mãos presas por cordas grossas que me arranham os pulsos como amarras de navios aportados em um cais?


quinta-feira, agosto 25, 2016

Lembras-te?

E a vontade que tive de te agarrar, levar-te para o fim do mundo e prender-nos lá?
Lembras-te? Foi quando... Espera!
Lógico que não te lembras. Eu não te disse. Como podias saber?
Assim também não sabes que me impediste de enfiar a merda do ar nos pulmões, que congestionaste a sua saída e me proibiste de te dizer: "Quero-te beijar!"

terça-feira, agosto 23, 2016

Beijo-te com os olhos

Quando dei por mim, tremia! Abanava com a corrente de ar que ficava da tua respiração, com o movimento que ficava da tua passagem por mim. Sim! A tua passagem por mim!!
E aquele "cliché" de ficar algo de alguém levar algo de alguém passou a fazer todo o sentido. Foram breves instantes que me souberam a uma vida a teu lado. Vi-te como não houvera visto ninguém. Escutei-te e procurei-te nas horas que não te tive, como nunca beijei ninguém. Nem mesmo tu. Nunca te beijei como deveria. Se o tivesse de voltar a fazer, acho que ainda não saberia como. Ainda não sei beijar com a boca. Só aprendi a beijar com os olhos. E esse beijo, digo-te o eu, é melhor que qualquer outro!

quinta-feira, agosto 18, 2016

Deixa-me dormir

Se me voltares a beijar, deixa-me dormir. Não me acordes. Não quero acordar sem saber a que sabem os teus lábios. Ou a saber. Nem sei bem.
Bodo. Amigos, conhecidos...
Estavas com alguém. Cumprimentaste o Luís. Vieste despedir-te de mim. Beijo na testa, entre os olhos, nariz, lábio e boca. Deixamo-nos continuar. Acordei com a boca tão molhada e tão doce que quase conseguia saber ao que sabiam!

terça-feira, agosto 09, 2016

O show das marionetas

FOI há tanto tempo que nem me lembro quando. Mas há tanto tempo, quanto? Tempo? Podíamos ficar palavras, linhas e parágrafos a tentar decidir quando foi, ou mesmo como foi. Mas importa? E o que importa? Importas tu? Importo eu? Ou importamos nós? Que se passou?
No dia em que te vi, naquele dia, naquele segundo ou naquele instante de momento em que te vi, mas VI mesmo, foi o segundo que se tornou Tempo. A Terra parou, o vento deixou de abanar as árvores, os pássaros imobilizaram-se no ar, os ribeiros, riachos e rios congelaram e as marés dos mares e oceanos hibernaram. Fiquei só no mundo. Só eu me mexia e circulava entre as personagens de uma peça de marionetas cujo encenador deixou em posição estática, esquecido do espectáculo do movimento.
A estaticidade do mundo deu-me o que há muito ansiava. A solidão e o silêncio! Tive todo o tempo do Tempo para correr o mundo. Fui a todos os recantos escondidos onde desejei ir mas, todas as noites me deixava invadir por uma solidão maior que a que havia desejado. Essa solidão instaurou-se na minha pele e eu tornei-me impotente na minha condição de único andante num mundo imóvel. Podia dispor de tudo e só queria voltar ao ponto de partida.
Iniciei a viagem de regresso, sem saber o que fazer, o que esperar. E quando te voltar a ver... Quero dormir! Quero dormir sem te ter na cabeça. Ou então sim.. Quero dormir a ter-te na cabeça. Quero embalar-te no regaço e beijar-te a testa. Quero abraçar-te e sentir a nossa respiração a encontrar-se até sermos só um a respirar. Ou então sim.. Quero fugir para aquele ponto da vida, do mundo e do tempo em que não sei quem és, nem onde estás. As contradições instalam-se em mim à medida que me sinto a aproximarmos-nos. Mas de que adianta? A imobilidade do mundo e das marionetas adormecidas e esquecidas não me deixam ver-te. Mas que aconteceu? Onde estás? Como é possível? Tive de me afastar para que também tu ganhasses a energia do movimento? Como é possível já não estares no mesmo sítio em que te deixei? Só queria imobilizar-me na tua frente e esperar que o Tempo me fizesse criar raízes junto de ti. Se o mundo não mais mexesse, saberia que estaria no sítio onde sempre quis estar. Mas tu mexeste-te, ou mexeram-te. Onde estás? E porque não me vês ou ouves? Quero-te encontrar para.. Não!! Não te quero encontrar. Tenho medo de me ter esquecido de.. Mas já me esqueci. Não sei onde estás. Não te vejo.
Quero que o encenador acorde e mova as marionetas. Mas quero que as troque de lugar e crie uma nova história. Uma em que... Uma em que... Uma em que eu não exista senão na minha lembrança, em que eu não existe senão em tudo e todos em que toquei e em que deixei as minhas impressões. E todos terão a marca e olhando para ela, perguntarão "Quem?", e terão a sensação de lembrança de algo que nunca aconteceu.

quarta-feira, maio 18, 2016

Ironia

Apareço à minha mãe, às 07 da manhã de um Domingo, completamente grosso, a cambalear, a fazer um basqueiro horrível e ela surge-me de vassoura na mão e diz "tás bonito, tás!". Eu respondo de imediato "Pudera. Sou teu filho. E vais varrer ou vais voar?"
Escusado será dizer que numa situação destas, a vassoura cairia de imediato - voando - em cima da minha cabeça.
Se assim é, onde está a ironia? Numa clara demonstração de ironia, eu respondo com duas afirmações que apesar de irónicas, demonstram desrespeito. Já a afirmação da minha mãe demonstra uma ironia sarcástica que se prende com o meu estado de ebriedade (ou falta dele).
Então como se vê a ironia e onde se pode, ou não utilizar nos dias que correm? Numa sociedade dita moderna, onde reinam as máximas de liberdade de expressão? Numa cultura aberta e universal, global, digital e tecnológica?

Antes de mais, é importante não esquecer que a ironia deve ser utilizada como elemento discursivo e recursivo-estilístico e é tão mais mordaz quanto o grau de abertura mental do interlocutor e do receptor. Se assim não fosse, como poderia a ironia ser responsável por uma boa parte da literatura - dita maior - de um país em tempos de ditaduras?
Sttau-Monteiro serviu-se dela para criticar um regime. Reynaldo Arenas também. Entre muitos outros que possam pensar seja na China, Rússia, Espanha, Itália, etc etc, etc.
Mas então porque nos sentimos tão ofendidos quando alguém lança para cima de nós uma ironia?
A explicação é simples e encontra-se também na justificação encontrada por F. Pessoa no seu artigo "O provincianismo português". Primeiro, porque não sabemos, ou esquecemos de como se usa a ironia. Depois, e mais importante, por isso mesmo... PORQUE SOMOS PROVINCIANOS!