Acerca de mim
- Pedro Barros
- Pombal, Beira Litoral, Portugal
- Às vezes, fazemos tudo bem e mesmo assim perdemos.
segunda-feira, janeiro 06, 2025
Certo, não é?
Day 12:
De volta às rotinas!
Podia ser que assim ela se distraísse mais.
Dormiu com o comprimido na mesinha de cabeceira. Ainda se recusa a tomá-lo. Adormeceu a ouvir música agarrada ao BilliWinsky. Mas acordou durante a noite. Uma dor tão grande no peito, dilacerante. Mas esta era mesmo física. Levantou-se, foi beber água e voltou a olhar para aquele disco químico que repousa na mesa de cabeceira. Deitou-se e adormeceu novamente.
Ainda não consegue acordar com o despertador. Sempre muito mais cedo. No entanto, levanta-se da cama. Trata de si, com a alegria da renovação de mais um dia. Olha-se ao espelho e pensa que é linda.
Ainda lhe custa andar na rua, no meio das multidões de homens e mulheres e crianças que se cruzam com ela.
"Não és tu, sou eu!"
Como é que ele lhe podia dizer aquilo? Claro que era ela. Ela é que o tomou por garantido. Ela é que se foi afastando um pouco. Ela é que não viu os sinais de alerta, nem acreditava nas pequenas mensagens de algumas pessoas ou mesmo dele e das suas atitudes.
"Eu gosto de ti, se calhar só não tanto como tu de mim!"
"Que raio quer isso dizer? Há algum aparelho para medir isso?"
"Não!"
"Então? Se gostas de mim, se gosto de ti, vamos ver no que vai dar, certo?"
"Certo!"
domingo, janeiro 05, 2025
"Não és tu, sou eu!"
Day 7:
Demora a entender.
Ela sabia bem que ele tinha o caos no sótão. Sempre lhe houvera dito que estaria ali para ele. Para o ajudar sempre que precisasse de um abraço apertado. Sempre que precisasse de sair sem destino. Que o ajudaria a ver-se de outra maneira, como ela o via, como um ser maravilhoso e cheio de luz.
Day 8:
Apressou-se a arranjar-se. Tinham combinado passar o dia juntos.
Mas algo não estava bem. Ela sentia no seu íntimo que o mundo estava prestes a desabar. Pensou em mil coisas mas só uma ficava: Porquê?
Ao chegar a ele, viu-o diferente. Mas ainda assim, veio aquele beijo bom de quem ainda gosta.
E ela sentia-se tão nervosa. Como podia estar a tremer de nervosismo junta da pessoa que ela mais gostava?
O almoço foi simples e rápido. Falaram de coisas triviais, e até das mãos dele.
O tremer nervoso intesificava-se e ele pede para a ir matar ao sol.
"Sabes que preciso falar uma coisa muito importante contigo, certo?"
"Sei. Queres-me dizer que nunca tive hipótese!"
A terrível sensação de injustiça vem com "Não és tu sou eu!"
Não pode ser!! Ela tinha de ter alguma culpa, só não conseguia perceber onde tinha errado. Mas em algum sítio tinhe de o ter feito.
Ela calou-se enquanto ele puxava o tapete do seu mundo. "És a melhor pessoa do mundo. Não tive nunca ninguém como tu. És a única pessoa com quem gosto de passar tempo. Estávamos a conhecer-nos, estava a conhecer-te, e gostei muito da pessoa que conheci mas, não quero conhecer mais!"
E as lágrimas começaram a escorrer pela cara dele. Ela manteve-se impávida. Mudou-se para a frente dele e não parava de a acariciar. Pensava em tudo e em nada. O consciente dizia uma coisa e o super inconsciente deixava que ela o acariciasse.
Despediram-se com um abraço. Ele apertou-a tanto que naquele momento, se ela o beijasse, ele deixava.
Day 9:
Desculpa!
Foi ao contrário. Nao foste tu, fui eu! Ela queria mais dele que o que ele podia dar.
Ela calou-se. Deixou que ele a estilhaçasse novamente sem se impôr. Sem perguntar porquê. Sem entender porquê. Mas acima de tudo, aceitou sem ser capaz de dizer que as coisas se deviam resolver a dois, nunca de um forma tão individualista.
Entendeu o caos em que ele vivia mas teve pena de não ter mais tempo para ajudar a organizar.
Day 10:
O carinho que lhe teve ia oscilando entre memórias boas e momentos de raiva. Odiava-o por não ter tido a coragem de falar com ela mais cedo. E lembrava-se dos passeios, das conversas, das horas infindáveis na cama, passadas entre conversas e intimidade.
E ódio desaparecia novamente.
Quase se odiou a ela própria por não ter dado ouvidos. Por nao ter sido o Mwanito de outrora, aquele que escutava todos os silêncios.
Day 11:
Estilhaçada duas vezes. Demorou a juntar os cacos. Mas houve sempre uma lasca que nunca foi encontrada. Desta vez, uma outra lasca desapareceu.
Há sempre algo irrecuperável! E no caso dela, ainda era cedo para saber o que viria a ser.
quarta-feira, janeiro 01, 2025
Coça
Day 3:
Dormiu tão mal. Acordou várias vezes durante a noite e demorava a voltar a adormecer. E chorou. Chorou muito ao lembrar-se de como tinha sido descartada daquela forma. Durante muito tempo esteve esquecida de como tinha lutado naquela relação. As surpresas, as viagens, as conquistas de ambos. Mas só ela é que lutava. E quando ele se sentia mais em baixo, ela fazia de tudo para o segurar. E era o que ela queria... Que ele soubesse que ela era forte por todos.
Day 4:
Ainda não conseguiu dormir em condições. Voltou a chorar muito. A sensação de comichão debaixo da pele não lhe dá tréguas. Precisa de se lembrar como fez antes para ultrapassar. Não consegue e só faz pior pois os fantasmas voltam para a assombrar.
Recorda o primeiro beijo. Foi estranho. Lembra-se que a boca sabia a batom de cieiro. Mas havia um outro sabor misturado.
Recorda que depois desse beijo, houve algo de estranho. Ficou sem saber o que dizer em seguida. E esse silêncio provoucou nela um misto de euforia e satisfação.
Lembra-se da primeira vez que dormiram juntos. Foi estranho. No final houve uma distância dele. Como se estivesse só a confirmar o que viria a acontecer.
Day 5:
Continua a chorar na almofada.
Como é que ele deixou que ela se apaixonasse só para a descartar tão friamente?
E ela ficou imóvel. Sem chão. Ouviu, encolheu os ombros, não falou, nem pediu a segunda oportunidade a que tinha direito. Ou pelo menos, ela achava que tinha direito a isso. Ela achava que toda a gente deve ter esse direito. Mas será que é mesmo assim, ou mesmo isso?
Day 6:
Ainda não dormiu direito.
Os pensamentos atravessam a alma. Pensa em formas de acabar de vez com a comichão por baixo da derme. E nesse momento, lembra-se de ligar a uma amiga que lhe marca logo consulta para o dia seguinte.
Day 7:
terça-feira, dezembro 24, 2024
Remanescências
Dia 0:
A sensação de "deja vu" deixa-a ansiosa!
Segue distraída nos seus pensamentos e nas divagações. Faz o percurso de carro e chega ao destino sem sequer se lembrar de ter feito o caminho.
A sala branca vazia de almas convida a mais alguns pensamentos. Será que está tudo bem comigo? E se o problema voltar, como dar a volta a uma situação recorrente?
A enfermeira, convida-a a entrar e esperar que o médico regresse com o resultado dos exames.
O consultório é amplo. Tem uma mesa rectangular, de vidro opaco com o monitor em cima e umas molduras. Mas só lhe vê as costas. Imagina que fotografias lhe viram as costas. Talvez numa delas seja o médico com a esposa (será que é casado?) num qualquer destino de algumas férias. E os filhos noutra. Se é que tem filhos? E que idades?
As paredes são brancas, despidas de ornamentos. Que sala fria!
Duas cadeiras, aquela em que se senta de momento, almofadada no acento e nas costas, dá-lhe a sensação de ser massajada. Aquela em que se sentará o médico, ergonómica, preta, com apoios para os braços e um recosto para nuca. Imponente!
A maçaneta da porta roda, as dobradiças chiam um pouco e nas suas costas surge o senhor doutor já pedindo desculpa pela espera que a fez passar.
Passa por ela, estica-lhe a mão para a cumprimentar. Ela levanta-se um pouco da cadeira e retribui o aperto de mão. Vigoroso, o médico. Mão macia. E ele é novo, Estará na casa dos 30. Contorna a mesa e senta-se. Afasta o monitor para que não haja aquela barreira entre os dois. O contacto visual é fundamental.
Abre os testes na secretária, analisa, lê, e diz-lhe que está tudo bem. Os resultados vieram negativos. Já não há remanescências. Está liberta de um monstro que durante um ano lhe comia as entranhas lentamente.
Agradece ao doutor e sai do consultório com um sentimento de alívio.
Entra no carro e segue de volta a casa. Mais uma vez, não se lembra de fazer os km que separam os dois espaços.
Ao chegar a casa, aquele porto seguro, parece que já não é mais o Atlas a segurar o peso do mundo nos seus ombros. Mas algo a incomoda. Uma sensação de que algo não está bem.
Dia 1:
Dormiu uma bela noite de sono. Acordou, tomou o duche, um belo pequeno almoço e sai. O dia está lindo, solarento.
Tem um almoço de amigos. Ao sair de casa, sente aquele calafrio na espinha que a faz tremer o corpo todo. Raios... O que será isto?
Está distraída no almoço. Os amigos falam e riem. Há danças e cantorias e ela fala com os amigos discorrendo sobre a sua notícia de ontem.
É hora de voltar. Ainda tem coisas para fazer em casa.
Lê o que tem a ler e deixa-se tombar na cama não fazendo nada do que precisava fazer. De repente, lembra-se que no dia anterior havia uma sensação de incómodo e logo nesse instante, sente uma comichão que não consegue coçar. É dentro dela. Atrás da cabeça, bem lá dentro. E a comichão incomóda-a pela insistência. E pela persistência.
Parou. Mas que raio?
Prepara-se para sair e volta para casa tarde. A noite foi animada e saber que traz com ela outro corpo que a aquecerá aquela noite, deixa-a de sorriso maroto.
Dia 2:
De manhã, convida o corpo a sair. Sem abraço, sem beijo. Só um "vou tomar banho. Quando sair, espero que tu também já o tenhas feito".
Ele não tem nome. É só mais outro.
A água escorre pelo corpo e pensa como conseguiu ficar tão distante, tão fria como a água que lhe lava os cabelos. Mas espera... Como pode a água ser fria se é a quente que está ligada? O corpo gela e a sensação de comichão alastra-se ao resto do corpo. Mas é por dentro da pele. Como se coça dentro da pele?
E o que raio será isto?
À medida que se vai tentando libertar desta sensação incómoda, tem uma epifania... Foi naquele dia! Quando ele a descartou tão facilmente como se troca de camisa. Foi nesse dia que se tornou fria, como a água quente que agora desce pelo ralo. A água já não é fria?!
Day 3:
sexta-feira, outubro 04, 2024
Porque eu já não sei escrever. Não quero escrever!!!
São duas da manhã. Estou despida de mim. Estou parada na tua frente. Quero te dizer o que quero mas, as palavras enrolam com a língua que fica presa na cavidade que quero beijada.
Diz-me o que queres de mim!! Diz-me com todas as letras! Não escondas. Sê honesto, sincero. Mas não te escondas!
Estou despida de mim. Olha a minha alma. Vê-me, como mais ninguém vê. Conhece o meu melhor e o meu pior.
Saí de casa tão cedo que não me lembro se ainda estava acordada. Passeei pelo dia, errante nos meus próprios pensamentos e na minha solidão interna, os meus pensamentos são sempre tu. Recuei o tempo na minha cabeça e percebi que toda a minha vida..............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Já não sei escrever. Já não quero escrever. Quero afundar-me em ti e esquecer que somos a soma do que fazemos. Estou despida na tua frente. Olhas-me nos olhos e diz que queres ver mais..............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
Porque eu já não sei escrever. Não quero escrever!!!
terça-feira, janeiro 19, 2021
"Não te estou a ouvir"
Este texto não foi encomendado.
Este texto é da minha autoria.
Este texto reflecte a minha opinião.
Muito se tem falado sobre tudo. Nestes dias, fala-se de CoVid-19, fala-se de política, de extrema-direita e de extrema-esquerda, de hospitais sobrelotados, de ambulâncias à espera, de mortos à espera, de.... Será que todos percebemos agora do assunto? Honestamente, acho que sim. Mas, sempre soubemos tudo.
À semelhança do resto do mundo, a extrema-direita vai crescendo. Surge com um discurso populista que esconde reais ambições. Esse discurso, assenta como uma luva no que uma faixa populacional, pensa, acredita, mas não tem voz. André Ventura, em Portugal, vem tão simplesmente dar essa voz a quem não consegue dizer ou agir. Os ciganos não trabalham, os pretos estão fora da terra deles, as mulheres estão de férias fora da cozinha, etc, são os argumentos utilizados para criar eleitorado. E vai conseguindo.
Os tempos são negros, meus queridos. Não se iludam. Morrem às centenas. São infectados aos milhares. Todos os dias somos bombardeados com notícias, não do mundo lá fora, mas do país cá dentro. Os lares, os tios, os amigos, os primos, nós e os pais. Porra!!! Mas cansa. Tivemos um primeiro confinamento que nos mostrou que há vida em casa, mas vimos isso como uma alienação das nossas liberdades mais básicas. Pedem-nos agora um confinamento com 52 excepções que se podem traduzir em centenas, mas bradamos que nos roubam o direito de sair e beber um copo?! E cerram-se punhos e bradem-se palavrões porque nos é pedido a utilização de uma máscara?! Devemos todos ser os próximos Brad Pitt e Angelinas - o que é bonito é para se ver..
Mas o que me chateia mais é ver classes operárias divididas, e elementos da sociedade desfazados.
Pois é... Aqui vai a minha opiniâo:
Calem-se com os fechos das escolas. O primeiro professor que me o disser está quase de certeza a mentir. Não somos ricos. Temos de trabalhar para ganhar dinheiro. Mas à semelhança de qualquer outro ser humano, "quanto menos, melhor". O teletrabalho desta classe profissional multiplica-se por 3. E eu, pelo menos, não quero isso.
Li recentemente uma senhora a pedir que se fechem as escolas. O ano anterior, da filha correu tão bem que teve uma "das melhores notas nacionais e foi para a universidade e curso que queria". Mas não nos esqueçamos do facilitismo que foi o ano transacto. Os testes, feitos em casa, os trabalhos feitos em casa, e os exames... ah os exames!
Desde há muitos anos que defendo um ensino público de qualidade. Fui contra o chamado "Processo de Bolonha", pois acho que arrasta o ensino portugês para a cova. Mas enquanto não se virem os resultados efectivos desse processo, os estudantes portugueses, continuarão a ser (se não os mais bem preparados), com certeza dos mais bem preparados do mundo para a entrada no mercado de trabalho global.
Mas o que oiço e vejo por estes dias vai contra tudo o que acredito e defendo. Se mandarmos os alunos para casa, será mais um ano lectivo que facilitaremos e que hipotecaremos a capacidade crítica de mais uma geração. Quando as coisas voltarem ao "normal", batalharão para conseguir o que quer que seja e não lidarão com a frustração.
Vejo aqui "a faca de dois gumes", o preso por ter e não ter cão. Assusta, o vírus. Mas a uma juventude sem educação, não podemos pedir muito mais.
São estes jovens a quem facilitamos, que saem e choram por não estar com os amigos, e por não poderem beber uns copos, e por não terem uma Queima. São estes jovens que comparam a Universidade com o cabeleireiro. São estes jovens os anti-vacinas. São estes os "flat-earthers". São estes os jovens que votarão André Ventura e nos governarão na reforma.
São estes jovens, a quem queremos retirar uma parte fulcral e importante de conhecimentos. E se fecharem as escolas, meus amigos, fodei-vos que eu avisei.
quarta-feira, janeiro 22, 2020
Alegria por não te amar.
Deixei-te na porta de casa.
Tínhamos estado juntos toda a noite. E a noite voou tão depressa que me doeu no mais íntimo a nossa despedida. Rimos tanto que chorei de alegria, a barriga doeu e os músculos da cara ficaram tesos como pedras. Disse-te isso e respondeste "São então as pedras mais bonitas que já vi. O teu sorriso é lindo. Os teus olhos também". Fizeste-me corar. Não estou habituada.
No momento da despedida, quis-te. Quis a tua respiração ofegante. Quis o teu corpo e a tua alma naqueles momentos em que amantes se tornam um só.
Imaginei o sabor dos teus lábios e souberam a gelado de chocolate. Mas que gelado de chocolate?! Nem sequer é o meu favorito. Porque haveriam os teus lábios de ter esse sabor?
Senti as tuas mãos largas, dentro dos bolsos a correr o meu corpo. Apertaste-me com tanta força que gemi. Apertaste mais. Gostaste daquele som de prazer e dor que não parava de emitir.
Mas como tudo tem um fim, apartámos-nos. Cada um seguiu o seu caminho em direcção a casa. Ainda voltei atrás para te dizer que queria dormir com o sabor dos teus lábios mas, quis o Fado que tudo não passasse de um sonho.
Acordei e chorei. Chorei de saudade e alegria. Saudade de desejar. Alegria por não te amar.
Tínhamos estado juntos toda a noite. E a noite voou tão depressa que me doeu no mais íntimo a nossa despedida. Rimos tanto que chorei de alegria, a barriga doeu e os músculos da cara ficaram tesos como pedras. Disse-te isso e respondeste "São então as pedras mais bonitas que já vi. O teu sorriso é lindo. Os teus olhos também". Fizeste-me corar. Não estou habituada.
No momento da despedida, quis-te. Quis a tua respiração ofegante. Quis o teu corpo e a tua alma naqueles momentos em que amantes se tornam um só.
Imaginei o sabor dos teus lábios e souberam a gelado de chocolate. Mas que gelado de chocolate?! Nem sequer é o meu favorito. Porque haveriam os teus lábios de ter esse sabor?
Senti as tuas mãos largas, dentro dos bolsos a correr o meu corpo. Apertaste-me com tanta força que gemi. Apertaste mais. Gostaste daquele som de prazer e dor que não parava de emitir.
Mas como tudo tem um fim, apartámos-nos. Cada um seguiu o seu caminho em direcção a casa. Ainda voltei atrás para te dizer que queria dormir com o sabor dos teus lábios mas, quis o Fado que tudo não passasse de um sonho.
Acordei e chorei. Chorei de saudade e alegria. Saudade de desejar. Alegria por não te amar.
terça-feira, janeiro 21, 2020
A pior das sensações volta - parte três mil cento e vinte e quatro e meio
Era noite escura.
Ela saiu de casa para um café. Saiu de casa, bem arranjada e perfumada. Era um dia como todos os rotineiros dias em que a vida se torna - por mais que não o quisesse.
Ao fechar a porta de casa, sentiu um frio, quase gelado de neve que lhe subiu e desceu todo o corpo. Era um dia de Verão. Como podia? "Foi só um calafrio" - pensou. Mas porquê? Olhou o telefone para confirmar qualquer negra notícia. Mas o telemóvel encontrava-se como a noite, negro!
E andou. Não pensou mais naqueles cabelos que, momentos antes, se haviam levantado como uma grande floresta. Mas pensava no café!
Acendeu o cigarro. Como de costume, puxa o cigarro, coloca-o gentilmente na boca e ri-se de pensar que havia algo de diferente. Sabia o que era, mas nem pensou. O isqueiro em seguida. Rodou a pedra e um pequeno clarão rasga a escuridão. Aquela chama, dançarina, protegida por uma mão, procurou a ponta do cigarro e, assim que os dois elementos se encontraram, naquele instante, inspirou, sentiu aquele fumo de cigarro digestivo rodar dentro da boca, conhecendo todas as papilas e apalpando todos os dentes e sorriu. Sorriu porque a imagem do cigarro que se juntava à chama a fazia lembrar os encontros amorosos. Pensou em dois amantes separados que só por forças externas se podiam encontrar. Mas aquele sorriso, depressa se escondeu com a tristeza daquele encontro fugaz. Será que aquele encontro de milésimos de segundo fazia valer a separação que se avizinhava ainda antes de se beijarem?
Gostava de caminhar a fumar. Distraía-a. Sempre que o fazia, o seu passo acelerado do dia, era substituído por um mais lento, semelhante às nocturnas horas. Apreciava as estrelas e a brisa que lhe tocava o rosto, como quem esconde uma lágrima. E lá teve que enconchar a mão para proteger aquela fonte de calor e impedir que se extinguisse mais cedo que tarde. Achou piada aos barulhos. Parecia que estava mais atenta, pois ouvia sons que lhe pareciam estranhos. Ao virar o canto da rua, a torre da igreja, apareceu-lhe imponente, fálica, virada para a Lua - o café estava perto. E o amante da chama chegava ao fim. Rodou-lhe a ponta até ficar só com o filtro na mão. Despejou aquele falecido no lixo, massajou o tapete de entrada com os pés, a cabeça baixada, mostrando o respeito e a cordialidade de quem entra em espaço que não seu. Levantou a cabeça, rodou-a a procurar uma amiga, com quem não tinha combinado nada e,
O espaço tinha ficado vazio. Onde estavam os amontoados de corpos que tinha visto? A música? O mundo desaparecera!
"Puta que pariu!!! - gritou com o megafone mental. "Outra vez?" - berrou surdamente. O calafrio... Lembrou-se do calafrio.
Ela saiu de casa para um café. Saiu de casa, bem arranjada e perfumada. Era um dia como todos os rotineiros dias em que a vida se torna - por mais que não o quisesse.
Ao fechar a porta de casa, sentiu um frio, quase gelado de neve que lhe subiu e desceu todo o corpo. Era um dia de Verão. Como podia? "Foi só um calafrio" - pensou. Mas porquê? Olhou o telefone para confirmar qualquer negra notícia. Mas o telemóvel encontrava-se como a noite, negro!
E andou. Não pensou mais naqueles cabelos que, momentos antes, se haviam levantado como uma grande floresta. Mas pensava no café!
Acendeu o cigarro. Como de costume, puxa o cigarro, coloca-o gentilmente na boca e ri-se de pensar que havia algo de diferente. Sabia o que era, mas nem pensou. O isqueiro em seguida. Rodou a pedra e um pequeno clarão rasga a escuridão. Aquela chama, dançarina, protegida por uma mão, procurou a ponta do cigarro e, assim que os dois elementos se encontraram, naquele instante, inspirou, sentiu aquele fumo de cigarro digestivo rodar dentro da boca, conhecendo todas as papilas e apalpando todos os dentes e sorriu. Sorriu porque a imagem do cigarro que se juntava à chama a fazia lembrar os encontros amorosos. Pensou em dois amantes separados que só por forças externas se podiam encontrar. Mas aquele sorriso, depressa se escondeu com a tristeza daquele encontro fugaz. Será que aquele encontro de milésimos de segundo fazia valer a separação que se avizinhava ainda antes de se beijarem?
Gostava de caminhar a fumar. Distraía-a. Sempre que o fazia, o seu passo acelerado do dia, era substituído por um mais lento, semelhante às nocturnas horas. Apreciava as estrelas e a brisa que lhe tocava o rosto, como quem esconde uma lágrima. E lá teve que enconchar a mão para proteger aquela fonte de calor e impedir que se extinguisse mais cedo que tarde. Achou piada aos barulhos. Parecia que estava mais atenta, pois ouvia sons que lhe pareciam estranhos. Ao virar o canto da rua, a torre da igreja, apareceu-lhe imponente, fálica, virada para a Lua - o café estava perto. E o amante da chama chegava ao fim. Rodou-lhe a ponta até ficar só com o filtro na mão. Despejou aquele falecido no lixo, massajou o tapete de entrada com os pés, a cabeça baixada, mostrando o respeito e a cordialidade de quem entra em espaço que não seu. Levantou a cabeça, rodou-a a procurar uma amiga, com quem não tinha combinado nada e,
O espaço tinha ficado vazio. Onde estavam os amontoados de corpos que tinha visto? A música? O mundo desaparecera!
"Puta que pariu!!! - gritou com o megafone mental. "Outra vez?" - berrou surdamente. O calafrio... Lembrou-se do calafrio.
segunda-feira, abril 29, 2019
Shatter
And the house is empty again.
It's when darkness comes that the mind flows. The day came to an end. The work is done.. today's and tomorrow's.
And I started thinking about writing. I love doing it but, a writer's block always comes. And so, my fingers slide through, up, on the keyboard and letters join to form words. Disconnected words join to make sentences, but the ideas still fly, and the sentences become non-sense texts about absolutely nothing.
I am thinking of Assessment Worksheets. Parts and times and timetables and the end of the school year is near, Ffs… the end is near!
And listening to music. I always listen to music when writing. It's nice. It's relaxing. But sometimes, one absolutely random music pops to bring memories. Ghosts from the past.
The best weeks are this ones. The ones one starts thinking of "songs of ice and fire". I like them. They are my own way of meditating.
I wish I could remember my first memory. I would like to describe it to you. But I can only remember the lack of …. the lack of… the lack of… I can't even remember what lacked me whilst a youngster.
It's a funny thing.. Last week I dreamt of you. It's always the same dream. We were walking around somewhere, together. Holding hands. You looked at me, I stared at you and your face vanished and I shattered. But, despite being broken I could still sing:
"Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall;
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put Humpty together again."
It's when darkness comes that the mind flows. The day came to an end. The work is done.. today's and tomorrow's.
And I started thinking about writing. I love doing it but, a writer's block always comes. And so, my fingers slide through, up, on the keyboard and letters join to form words. Disconnected words join to make sentences, but the ideas still fly, and the sentences become non-sense texts about absolutely nothing.
I am thinking of Assessment Worksheets. Parts and times and timetables and the end of the school year is near, Ffs… the end is near!
And listening to music. I always listen to music when writing. It's nice. It's relaxing. But sometimes, one absolutely random music pops to bring memories. Ghosts from the past.
The best weeks are this ones. The ones one starts thinking of "songs of ice and fire". I like them. They are my own way of meditating.
I wish I could remember my first memory. I would like to describe it to you. But I can only remember the lack of …. the lack of… the lack of… I can't even remember what lacked me whilst a youngster.
It's a funny thing.. Last week I dreamt of you. It's always the same dream. We were walking around somewhere, together. Holding hands. You looked at me, I stared at you and your face vanished and I shattered. But, despite being broken I could still sing:
"Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall;
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put Humpty together again."
sábado, novembro 17, 2018
My.. mine.. hers
Looking at this freaking huge, empty house is scary. Not scary like "Scary Movie" - I haven't got a dumb serial killer after me hiding behind the curtains - but like drama scary.
A physical emptiness can, may, and most definitively, will have repercussions in one's state of mind. One starts feeling "saudades".
That means that we start missing "when", "where", "why" or even "who", and this is me trying to come back to grammar.
But this time I began thinking about demonstratives. I was thinking about "My" ex-, and realised that these small possessive adjectives are quite difficult to teach. We do not have "adjectivos possessivos" and they always come before nouns. And they give a possessive characteristic to someone or something. But it's still always strange. Was he/she/it ever our possession?
So I jumped to thinking he/she/it was "Mine". Now, here, in this case, we do have possessive pronouns. And we can move them along inside the sentence. But in English they are used to show that something belongs to someone. So the "mother is mine", because they always follow the verb.
And she left because of that.. She was a "personal subject".. She knew she was no one's belongings. She was no object and I wasn't hers.
A physical emptiness can, may, and most definitively, will have repercussions in one's state of mind. One starts feeling "saudades".
That means that we start missing "when", "where", "why" or even "who", and this is me trying to come back to grammar.
But this time I began thinking about demonstratives. I was thinking about "My" ex-, and realised that these small possessive adjectives are quite difficult to teach. We do not have "adjectivos possessivos" and they always come before nouns. And they give a possessive characteristic to someone or something. But it's still always strange. Was he/she/it ever our possession?
So I jumped to thinking he/she/it was "Mine". Now, here, in this case, we do have possessive pronouns. And we can move them along inside the sentence. But in English they are used to show that something belongs to someone. So the "mother is mine", because they always follow the verb.
And she left because of that.. She was a "personal subject".. She knew she was no one's belongings. She was no object and I wasn't hers.
sexta-feira, novembro 16, 2018
Memories
I was going through that new thing in Facebook - "Memories" - and I came across with a very old one. The oddest thing is that when I saw it was from eight years ago, I started thinking of where, when and why and...
Wh- questions are sometimes hard to explain to students learning English as a Second Language. One might think it's easy, but we use it like socks.
Now go and try explain 12/13 year-old kids that where is for places and when is for time and why is reason and who is… who is just who. It's not an easy task.
I think that I was living near Rio Arunca at the time. That would be the WHERE. A place in town that leads us right to the river bank. And I don't mean the one where you save your Money even though that would still be a "where".
It was so many years ago I cannot actually remember. I was younger than I am today. I was dating a girl. I had just dropped university. I wrote something to her and that was actually the "memory". This may be the WHEN. The time I wrote the "memoir".
And the fuckin WHY I wrote the piece of shit just is out of my rememberance. I thought I was in love. Or am sure I was? And needed to let her know that. Why? I wasn't sure of anything and neither was she.
And the years went by. And a memory came to haunt. Are all memories a ghost? They may as well be, but I ain't no Ghostbuster to trap them down and recycle them. I live with those ghosts.. Some I can play with, others I...
Wh- questions are sometimes hard to explain to students learning English as a Second Language. One might think it's easy, but we use it like socks.
Now go and try explain 12/13 year-old kids that where is for places and when is for time and why is reason and who is… who is just who. It's not an easy task.
I think that I was living near Rio Arunca at the time. That would be the WHERE. A place in town that leads us right to the river bank. And I don't mean the one where you save your Money even though that would still be a "where".
It was so many years ago I cannot actually remember. I was younger than I am today. I was dating a girl. I had just dropped university. I wrote something to her and that was actually the "memory". This may be the WHEN. The time I wrote the "memoir".
And the fuckin WHY I wrote the piece of shit just is out of my rememberance. I thought I was in love. Or am sure I was? And needed to let her know that. Why? I wasn't sure of anything and neither was she.
And the years went by. And a memory came to haunt. Are all memories a ghost? They may as well be, but I ain't no Ghostbuster to trap them down and recycle them. I live with those ghosts.. Some I can play with, others I...
quarta-feira, agosto 29, 2018
O Amor é cego (mas ainda tem idade)
Há anos… há muitos anos atrás, numa altura de felicidade relativa, de reis e rainhas, príncipes e princesas, o mundo era um conto de fadas e todos viviam cegos e seguros dessa felicidade relativa. Era a Idade da Utopia.
Eram tempos em que o Homem regia a sua vida segundo as leis dessa felicidade relativa. Podiam comer o que quisessem. Beber o que quisessem, pegar o que quisessem. E ninguém dizia nada. E um dia todos eram reis e rainhas, príncipes e princesas.
E as relações eram do mais honestas possíveis. Só se era amigo até um se fartar. E quando se fartasse, dizia e escolhia outro amigo. O mesmo se passava com os homens e as mulheres. Não havia matrimónio, nem igreja. Ninguém se casava. Não havia necessidade. Relações duradouras não existiam. A vida era como é, feita de experiências. E essas experiências levavam a partilhas quase obrigatórias de vivências, de pessoas. Mas não havia a noção de Amor. Ninguém amava. Seria essa a razão de todos viverem em felicidade relativa?
Mas um dia tudo mudou. Mas porquê? Como? O que se passou? Conta-nos!!
O que se passou?! Simples! A escrita apareceu. E os poetas começaram a olhar para lua e a chamá-la de amor. Olharam para as flores e chamavam por alguém que lhes aparecia distante. E viam riachos e ansiavam que a Lídia se sentasse à sua beira. E começou o sofrimento. O Homem começou a procurar companhia permanente. E apareceram os primeiros ladrões. Primeiro roubaram corações. Mais tarde roubaram bancos. Os reis e rainhas, príncipes e princesas não trocaram mais, antes trocaram entre eles.
E se antes o Amor não existia, como que quisessem que não nos esquecêssemos de tempos de felicidade relativa, foi nos dito que o Amor continua cego, que não escolhe cor, nem género, nem idade.
E então? Como acaba?
Acaba quando de vez em quando nos cruzamos com uma dessas pessoas. Alguém que amamos e que nos ama de volta sem conhecer a cor da nossa pele, mas antes a cor da nossa alma. Sem olhar para o nosso género, mas antes para o tipo de confiança que transmitimos. Que nos diz que a nossa idade é a idade da vida que quer passar connosco.
Que bonito!
É mesmo? Terei contado isto bem ou a história é ao contrário?
Eram tempos em que o Homem regia a sua vida segundo as leis dessa felicidade relativa. Podiam comer o que quisessem. Beber o que quisessem, pegar o que quisessem. E ninguém dizia nada. E um dia todos eram reis e rainhas, príncipes e princesas.
E as relações eram do mais honestas possíveis. Só se era amigo até um se fartar. E quando se fartasse, dizia e escolhia outro amigo. O mesmo se passava com os homens e as mulheres. Não havia matrimónio, nem igreja. Ninguém se casava. Não havia necessidade. Relações duradouras não existiam. A vida era como é, feita de experiências. E essas experiências levavam a partilhas quase obrigatórias de vivências, de pessoas. Mas não havia a noção de Amor. Ninguém amava. Seria essa a razão de todos viverem em felicidade relativa?
Mas um dia tudo mudou. Mas porquê? Como? O que se passou? Conta-nos!!
O que se passou?! Simples! A escrita apareceu. E os poetas começaram a olhar para lua e a chamá-la de amor. Olharam para as flores e chamavam por alguém que lhes aparecia distante. E viam riachos e ansiavam que a Lídia se sentasse à sua beira. E começou o sofrimento. O Homem começou a procurar companhia permanente. E apareceram os primeiros ladrões. Primeiro roubaram corações. Mais tarde roubaram bancos. Os reis e rainhas, príncipes e princesas não trocaram mais, antes trocaram entre eles.
E se antes o Amor não existia, como que quisessem que não nos esquecêssemos de tempos de felicidade relativa, foi nos dito que o Amor continua cego, que não escolhe cor, nem género, nem idade.
E então? Como acaba?
Acaba quando de vez em quando nos cruzamos com uma dessas pessoas. Alguém que amamos e que nos ama de volta sem conhecer a cor da nossa pele, mas antes a cor da nossa alma. Sem olhar para o nosso género, mas antes para o tipo de confiança que transmitimos. Que nos diz que a nossa idade é a idade da vida que quer passar connosco.
Que bonito!
É mesmo? Terei contado isto bem ou a história é ao contrário?
terça-feira, fevereiro 27, 2018
Palavras, leva-as o vento
É difícil. Nem imaginas o quanto! Achas que podes fazer uma ideia, mas não sabes. Não consegues medir. Não há racionalidade nenhuma, nem ciência, nem medida que possa sequer dar uma ideia do quão difícil é.
Escrevo-te agora o que há muito me havia prometido dizer. Mas não sei se seria capaz de te dizer o que me preparo para te escrever. Frente a frente, não diria nada do que devo. E ficaram algumas coisas por te dizer.
Se não fui capaz de te entregar o teu presente, por alguma razão foi. Foi por não ser capaz, nem querer estar junto a ti. Por saber que ia tremer. Que me ia engasgar, sufocar, acelerar o coração, enervar-me e apaixonar-me novamente. Sim!!! Apaixonar-me! Deixar que me cativasses novamente. Baixar a guarda e levar novamente o rude golpe. Aquele golpe de misericórdia que antes faltou.
Escolhi esta música por serem estas as palavras que devia ter dito e não cheguei a dizer. Não que agora façam qualquer tipo de diferença. Mas pronto... Também sou lamechas e gosto da música.
segunda-feira, fevereiro 26, 2018
Em 1343
"Às vezes o Amor..." faz parte da letra e da canção com o mesmo nome de Sérgio Godinho.
Acontece com facilidade e alguma frequência, até. Aquela ideia de paixão, felicidade e "até que a morte os separe" começou a fazer parte da imaginação e mesmo dos sonhos. Começa a ser algo cada vez mais dos contos de fadas do que da realidade.
Faz alguns anos - alguns mesmo - a epifania atingiu-me! Chegou de mansinho, colocou um pé à minha frente e empurrou pelas costas com tal força que caí estatelado. Mas foi essa mesma queda que fez com que a ilusão se tornasse realidade.
Primeiro vi que é pelas costas que a vida chega. Ou para nos dar o empurrão que faltava, aquela coragem que não sabíamos que existia, ou para nos empurrar em direcção ao abismo. De qualquer das maneiras, é sempre pelas costas.
Em segundo lugar, serviu para ver que o desejo é fútil. Só ama que não tem mais nada que fazer! Mas também só se apaixona, quem tem coragem para isso. E a minha foi-se..
A última vez que me apaixonei foi em 1343!
Acontece com facilidade e alguma frequência, até. Aquela ideia de paixão, felicidade e "até que a morte os separe" começou a fazer parte da imaginação e mesmo dos sonhos. Começa a ser algo cada vez mais dos contos de fadas do que da realidade.
Faz alguns anos - alguns mesmo - a epifania atingiu-me! Chegou de mansinho, colocou um pé à minha frente e empurrou pelas costas com tal força que caí estatelado. Mas foi essa mesma queda que fez com que a ilusão se tornasse realidade.
Primeiro vi que é pelas costas que a vida chega. Ou para nos dar o empurrão que faltava, aquela coragem que não sabíamos que existia, ou para nos empurrar em direcção ao abismo. De qualquer das maneiras, é sempre pelas costas.
Em segundo lugar, serviu para ver que o desejo é fútil. Só ama que não tem mais nada que fazer! Mas também só se apaixona, quem tem coragem para isso. E a minha foi-se..
A última vez que me apaixonei foi em 1343!
sábado, agosto 19, 2017
Uma no cravo e outra na ferradura
Ora muito bom dia, boa tarde, boa noite ou boas férias, bom fim-de-semana ou boa semana!
Já há algum tempo que andava para escrever sobre isto. Quanto mais não seja pelas perguntas que me têm feito, pelas propostas ou pelos convites.
E com este pequeno texto, remeto-me novamente ao silêncio, no que a considerações políticas diga respeito.
No que toca a política nacional, nada mais há (para mim e por mim, a dizer). Acho que todos os analistas políticos já fizeram o seu trabalho. Acho que todos os "treinadores de bancada" definiram as suas tácticas. Ou seja, nada sobra para dizer - já se disse tudo dos incêndios de Pedrógão, das mortes na EN 236-1, das falhas do SIRESP, dos pedidos de responsabilidade, dos pedidos de demissão, das férias do "Primeiro", ou a falta do informação do "segundo". Talvez por isso seja tão fácil fazer uma campanha eleitoral nacional. Descobrem-se as falhas de um e de outro, mandam-se umas "larachas" e está a campanha feita. Ganha o político mais estúpido, com o pior projecto eleitoral, mas que melhor se serve das falhas do adversário. Acho que sempre me lembro de assim ser. Mas lá está.. Política nacional à parte, falo da local.
Na minha "santa terrinha" há uma carrada de candidatos, da direita à esquerda, de cima a baixo, do centro independentes e dos independentes centro. Por cá, faz tempo que deixei de votar no(s) partido e passei a votar na pessoa, ou pelo menos no que melhor programa eleitoral me consegue apresentar.
Assim, para a CMP, de entre os candidatos Eng. Narciso, Presidente Diogo e Candidatos Sidónio e Claro, a análise é simples. A CMP continuará quase sem dúvida a ser "laranja". O CDS e o PS não têm expressão num concelho que há anos é "brainwashed" por uma máquina política tão bem oleada. Reconheço todo o mérito ao Sidónio. Privei com ele várias vezes, sei bem do que é capaz. Mas infelizmente não é candidato pelo PSD. O Eng. Claro é o candidato do PS.
Enquanto o PS de Pombal se encontrar no mesmo marasmo dos últimos 25 anos, não me parece que algum dia saia da "cepa torta"! Uma enorme palavra de apreço ao Eng Claro pela coragem demonstrada em assumir este desafio, mas infelizmente não é candidato pelo PSD.
A luta resumir-se-à (e perdoem-me os pequenos independentes por aí, mas também sabem que é verdade o que digo) ao candidato Eng. Narciso e ao actual presidente Diogo.
Tive/tenho uma relação de particular carinho pelo actual presidente. Reconheço uma obra feita e trabalho ao Eng Narciso. Mas isso não chega! Para nenhum dos dois. O Eng, fez questão de bater com a porta na cara do partido que o criou. SIM!! O criou!! O actual segue com os mesmos erros do anterior. Poderia enumerar milhares, mas refiro sempre as pessoas de quem os candidatos a presidentes pelo PSD são rodeados. Sinceramente, não sei (mas deveria saber) quem escolhe os candidatos a vereadores. Se é o Candidato ou o partido. Se é o candidato, deve pensar melhor nas escolhas que faz. Se é o partido, então "boys for the jobs"!
(Que me perdoem os rapazes e raparigas, homens e mulheres do BE e da CDU, mas não sei mesmo nada de nenhum dos candidatos ou dos programas)
Relativamente à JFP, é tudo mais fácil. O PSD apresentou o candidato ideal para que não restem dúvidas quanto aos resultados.
Dos candidatos, menciono apenas três: Sílvia João (CDS), Aníbal Cardona (PS) e Pedro Pimpão (PSD).
A Sílvia, conheci-a há alguns dias atrás. Conheço, e sou amigo de alguns dos integrantes da lista há vários anos. Sei do que são capazes. Aos que conheço, sei que são pessoas capazes da abnegação requerida pelo cargo político a que se candidatam. Sei que são trabalhadores e sonham com uma freguesia de Pombal unida em prol de um bem comum.. O bem-estar dos seus fregueses, homens e mulheres, rapazes e raparigas, ricos e pobres do PSD, do PS ou de qualquer outro partido político.
O candidato do PS, é alguém que conheço há alguns anos. Tivemos conversas de café, mas nunca sobre política. Soube este ano e nestas eleições que "é do" PS. (Este é o erro do PS, ninguém sabe bem quem são, ou são sempre os mesmos). Tem uma vida profissional estável, mas que mais posso dizer sobre isso?! Não é a sua profissão que me pode dizer se é ou não bom político. Um abraço para ele, e à semelhança do Eng Claro, gabo-lhe a coragem de se assumir como candidato nesta altura!
Por último, sobra o Pedro Pimpão. Cresci com ele, entrei para as direcções da Escola Secundária pela sua mão. Entrei para a JSD e várias direcções pela sua mão, mas terá também sido pelo seu "mindinho" que me afastei de qualquer lide política. A determinada altura é pedido que usemos "palas". E isso eu não sou capaz. Posso "comer a cenoura", mas não me peçam para dar o passo em frente à beira do abismo.
O Pedro fez trabalhos notáveis enquanto presidente de AE/ESP e enquanto presidente da JSD. Mas a minha "ignóbil" opinião é a de que na altura ele sabia bem quem eram as pessoas que deviam estar com ele. E essas seguiam-no. É um líder quase por natureza. Consegue colar fracturas!
Não acompanhei o seu percurso na A.R. Do que sei, fez parte de algumas Comissões Parlamentares, dando sempre o seu contributo. Bem.. Muito bem!
É o candidato da continuação, no entanto. Veremos se a "nossa" freguesia continuará igual!
A todos os candidatos, desejo um bom início de campanha, uma boa campanha e que ganhe o melhor!
Já há algum tempo que andava para escrever sobre isto. Quanto mais não seja pelas perguntas que me têm feito, pelas propostas ou pelos convites.
E com este pequeno texto, remeto-me novamente ao silêncio, no que a considerações políticas diga respeito.
No que toca a política nacional, nada mais há (para mim e por mim, a dizer). Acho que todos os analistas políticos já fizeram o seu trabalho. Acho que todos os "treinadores de bancada" definiram as suas tácticas. Ou seja, nada sobra para dizer - já se disse tudo dos incêndios de Pedrógão, das mortes na EN 236-1, das falhas do SIRESP, dos pedidos de responsabilidade, dos pedidos de demissão, das férias do "Primeiro", ou a falta do informação do "segundo". Talvez por isso seja tão fácil fazer uma campanha eleitoral nacional. Descobrem-se as falhas de um e de outro, mandam-se umas "larachas" e está a campanha feita. Ganha o político mais estúpido, com o pior projecto eleitoral, mas que melhor se serve das falhas do adversário. Acho que sempre me lembro de assim ser. Mas lá está.. Política nacional à parte, falo da local.
Na minha "santa terrinha" há uma carrada de candidatos, da direita à esquerda, de cima a baixo, do centro independentes e dos independentes centro. Por cá, faz tempo que deixei de votar no(s) partido e passei a votar na pessoa, ou pelo menos no que melhor programa eleitoral me consegue apresentar.
Assim, para a CMP, de entre os candidatos Eng. Narciso, Presidente Diogo e Candidatos Sidónio e Claro, a análise é simples. A CMP continuará quase sem dúvida a ser "laranja". O CDS e o PS não têm expressão num concelho que há anos é "brainwashed" por uma máquina política tão bem oleada. Reconheço todo o mérito ao Sidónio. Privei com ele várias vezes, sei bem do que é capaz. Mas infelizmente não é candidato pelo PSD. O Eng. Claro é o candidato do PS.
Enquanto o PS de Pombal se encontrar no mesmo marasmo dos últimos 25 anos, não me parece que algum dia saia da "cepa torta"! Uma enorme palavra de apreço ao Eng Claro pela coragem demonstrada em assumir este desafio, mas infelizmente não é candidato pelo PSD.
A luta resumir-se-à (e perdoem-me os pequenos independentes por aí, mas também sabem que é verdade o que digo) ao candidato Eng. Narciso e ao actual presidente Diogo.
Tive/tenho uma relação de particular carinho pelo actual presidente. Reconheço uma obra feita e trabalho ao Eng Narciso. Mas isso não chega! Para nenhum dos dois. O Eng, fez questão de bater com a porta na cara do partido que o criou. SIM!! O criou!! O actual segue com os mesmos erros do anterior. Poderia enumerar milhares, mas refiro sempre as pessoas de quem os candidatos a presidentes pelo PSD são rodeados. Sinceramente, não sei (mas deveria saber) quem escolhe os candidatos a vereadores. Se é o Candidato ou o partido. Se é o candidato, deve pensar melhor nas escolhas que faz. Se é o partido, então "boys for the jobs"!
(Que me perdoem os rapazes e raparigas, homens e mulheres do BE e da CDU, mas não sei mesmo nada de nenhum dos candidatos ou dos programas)
Relativamente à JFP, é tudo mais fácil. O PSD apresentou o candidato ideal para que não restem dúvidas quanto aos resultados.
Dos candidatos, menciono apenas três: Sílvia João (CDS), Aníbal Cardona (PS) e Pedro Pimpão (PSD).
A Sílvia, conheci-a há alguns dias atrás. Conheço, e sou amigo de alguns dos integrantes da lista há vários anos. Sei do que são capazes. Aos que conheço, sei que são pessoas capazes da abnegação requerida pelo cargo político a que se candidatam. Sei que são trabalhadores e sonham com uma freguesia de Pombal unida em prol de um bem comum.. O bem-estar dos seus fregueses, homens e mulheres, rapazes e raparigas, ricos e pobres do PSD, do PS ou de qualquer outro partido político.
O candidato do PS, é alguém que conheço há alguns anos. Tivemos conversas de café, mas nunca sobre política. Soube este ano e nestas eleições que "é do" PS. (Este é o erro do PS, ninguém sabe bem quem são, ou são sempre os mesmos). Tem uma vida profissional estável, mas que mais posso dizer sobre isso?! Não é a sua profissão que me pode dizer se é ou não bom político. Um abraço para ele, e à semelhança do Eng Claro, gabo-lhe a coragem de se assumir como candidato nesta altura!
Por último, sobra o Pedro Pimpão. Cresci com ele, entrei para as direcções da Escola Secundária pela sua mão. Entrei para a JSD e várias direcções pela sua mão, mas terá também sido pelo seu "mindinho" que me afastei de qualquer lide política. A determinada altura é pedido que usemos "palas". E isso eu não sou capaz. Posso "comer a cenoura", mas não me peçam para dar o passo em frente à beira do abismo.
O Pedro fez trabalhos notáveis enquanto presidente de AE/ESP e enquanto presidente da JSD. Mas a minha "ignóbil" opinião é a de que na altura ele sabia bem quem eram as pessoas que deviam estar com ele. E essas seguiam-no. É um líder quase por natureza. Consegue colar fracturas!
Não acompanhei o seu percurso na A.R. Do que sei, fez parte de algumas Comissões Parlamentares, dando sempre o seu contributo. Bem.. Muito bem!
É o candidato da continuação, no entanto. Veremos se a "nossa" freguesia continuará igual!
A todos os candidatos, desejo um bom início de campanha, uma boa campanha e que ganhe o melhor!
sexta-feira, abril 21, 2017
Estágio - Centro Europeu de Línguas
Em meados de Novembro, num dos inúmeros sites de emprego existentes em Portugal, havia um anúncio para um "estágio europeu". Escusado será dizer que concorri de imediato. A resposta não se fez esperar e fui chamado a uma entrevista a Lisboa.
A Dra. (?) Paula Cipriano, foi impecável na informação e prestação de todos os esclarecimentos.
Este estágio, resulta de uma parceria entre várias instituições espalhadas pela Europa e funciona com fundos europeus. Na altura de decidir o meu país de destino, e tendo à escolha França, R.U., Espanha e Itália, a resposta foi imediata. Já não bastava ser um país de língua inglesa, era também um dos países do meu imaginário. Tudo o processo de selecção foi muito rápido, assim como tudo o resto que me permitiria vir e começar o meu estágio. Como "não há Bela sem senão", tive de completar também um curso de formadores, ministrado no C.E.L. a fim de ser considerado elegível (um dos requisitos obrigatórios). Nada de grave, tendo até em conta as minhas anteriores experiências profissionais.
O Centro Europeu de Línguas, em Lisboa, tratou de tudo o que concerne a nossa estadia. Alojamento, viagens, transportes e recebemos uma bolsa mensal para fazer face às nossas despesas de alimentação. (bem jogado com o dinheiro, ainda nos sobra para algumas pequenas extravagâncias, como a viagem que fiz a Glasgow).
Depois de toda a documentação tratada e algumas viagens a Lisboa, no dia 1 de Março cheguei a Londonderry.
A cidade fica no Noroeste da Irlanda do Norte e, é conhecida por razões diversas, sendo que mais marcante é o famoso "Bloody Sunday". É uma cidade relativamente pequena se considerarmos que é a quarta maior da ilha. É atravessada por um rio rico em ceifar vidas a jovens adolescentes. A cidade tem uma das mais elevadas taxas de suicídio jovem de toda a ilha.
No segundo dia, eu, em conjunto com os restantes elementos do grupo de estagiários portugueses, fomos encaminhados para a instituição de acolhimento, que nos deu um breefing sobre a cidade, vida e cultura e locais de trabalho que nos tinham sido designados.
Sou "assistant teacher" na St. Therese's P.S. Lenamore. Uma escola católica (e isso é das coisas que mais me custa no trabalho).
O ambiente educativo é fantástico. As condições são absolutamente fantásticas. As pessoas, funcionários, alunos e professores, têm sido incansáveis em fazer com que me sinta extremamente confortável.
Escusado será dizer que nem só de trabalho vive o homem. Aproveitamos sempre para as nossas viagens e passeios, bem como para umas saídas nocturnas.
Como disse recentemente nas redes sociais, os locais não bebem tanto como o povo português, mas são (dos que conheço), muito mais amistosos e divertidos. Estão constantemente em festa e não têm problemas nenhuns em meter conversa com qualquer pessoas que lhes pareça estranha. Aconteceu comigo :D
Tive a sorte de chegar no dia 1 de Março e estar por cá durante as celebrações do St. Patrick's Day. Em suma, é uma espécie de desfile carnavalesco. Até aqui nada de muito diferente dos desfiles em Portugal. Mas, assim que acaba a "parade", o povo junta-se em festa em tudo o que é espaço de diversão. Os pubs e os bares enchem-se de gente que celebra o santo responsável pela evangelização da ilha.
(Peço desculpa pela qualidade do vídeo)
A Dra. (?) Paula Cipriano, foi impecável na informação e prestação de todos os esclarecimentos.
Este estágio, resulta de uma parceria entre várias instituições espalhadas pela Europa e funciona com fundos europeus. Na altura de decidir o meu país de destino, e tendo à escolha França, R.U., Espanha e Itália, a resposta foi imediata. Já não bastava ser um país de língua inglesa, era também um dos países do meu imaginário. Tudo o processo de selecção foi muito rápido, assim como tudo o resto que me permitiria vir e começar o meu estágio. Como "não há Bela sem senão", tive de completar também um curso de formadores, ministrado no C.E.L. a fim de ser considerado elegível (um dos requisitos obrigatórios). Nada de grave, tendo até em conta as minhas anteriores experiências profissionais.
O Centro Europeu de Línguas, em Lisboa, tratou de tudo o que concerne a nossa estadia. Alojamento, viagens, transportes e recebemos uma bolsa mensal para fazer face às nossas despesas de alimentação. (bem jogado com o dinheiro, ainda nos sobra para algumas pequenas extravagâncias, como a viagem que fiz a Glasgow).
Depois de toda a documentação tratada e algumas viagens a Lisboa, no dia 1 de Março cheguei a Londonderry.
A cidade fica no Noroeste da Irlanda do Norte e, é conhecida por razões diversas, sendo que mais marcante é o famoso "Bloody Sunday". É uma cidade relativamente pequena se considerarmos que é a quarta maior da ilha. É atravessada por um rio rico em ceifar vidas a jovens adolescentes. A cidade tem uma das mais elevadas taxas de suicídio jovem de toda a ilha.
No segundo dia, eu, em conjunto com os restantes elementos do grupo de estagiários portugueses, fomos encaminhados para a instituição de acolhimento, que nos deu um breefing sobre a cidade, vida e cultura e locais de trabalho que nos tinham sido designados.
Sou "assistant teacher" na St. Therese's P.S. Lenamore. Uma escola católica (e isso é das coisas que mais me custa no trabalho).
O ambiente educativo é fantástico. As condições são absolutamente fantásticas. As pessoas, funcionários, alunos e professores, têm sido incansáveis em fazer com que me sinta extremamente confortável.
Escusado será dizer que nem só de trabalho vive o homem. Aproveitamos sempre para as nossas viagens e passeios, bem como para umas saídas nocturnas.
Como disse recentemente nas redes sociais, os locais não bebem tanto como o povo português, mas são (dos que conheço), muito mais amistosos e divertidos. Estão constantemente em festa e não têm problemas nenhuns em meter conversa com qualquer pessoas que lhes pareça estranha. Aconteceu comigo :D
Tive a sorte de chegar no dia 1 de Março e estar por cá durante as celebrações do St. Patrick's Day. Em suma, é uma espécie de desfile carnavalesco. Até aqui nada de muito diferente dos desfiles em Portugal. Mas, assim que acaba a "parade", o povo junta-se em festa em tudo o que é espaço de diversão. Os pubs e os bares enchem-se de gente que celebra o santo responsável pela evangelização da ilha.
(Peço desculpa pela qualidade do vídeo)
domingo, março 05, 2017
Londonderry - Derry - Doire
Já lá vai o tempo em que fazia confusão enorme aos locais a utilização do nome "Londonderry". Em verdade se diga: Coitados, nacionalistas como "eram" e ainda tinham de gramar a pastilha com o nome de "London" no seu próprio nome :)
Escrevo anteriormente "eram" por uma razão muito simples - começo a notar uma indiferença em relação a tudo o que é Inglês. E as pessoas nem se preocupam muito em explicar ou defender a sua luta pela independência.
Há no entanto algo que me assusta. Cheguei na Quarta-feira à noite e as eleições para o parlamento da Irlanda do Norte ocorreram logo no dia seguinte. O Sinn Féin recuperou muitos dos votos perdidos em eleições ao longo dos últimos 20anos. O discurso do presidente do partido parece dar a entender que o regresso do IRA pode estar para breve.
"Anyways":
Cheguei! Cheguei bem! Já explorei uma parte da cidade. É fantástica. É atravessada pelo rio Foyle. Tem uma cidade muralhada, um bocado à semelhança de Óbidos, e a cidade cresceu à volta dessa muralha.
Escusado será dizer que, como já viram no Fb, já tive de "ir para os copos". Pessoas super animadas, que sabem mesmo como se divertir. Bebem que se fartam. As idades das pessoas que encontrei nestes espaços, vão dos 18 aos 80(!) anos. E até agora, as pessoas mostram-se preocupadas em perceber como nos podem ajudar. Ou não falam "gaelic", ou tentam falar mais devagar, ou tentam reduzir o sotaque. Ou seja: "so far, so good!"
Escrevo anteriormente "eram" por uma razão muito simples - começo a notar uma indiferença em relação a tudo o que é Inglês. E as pessoas nem se preocupam muito em explicar ou defender a sua luta pela independência.
Há no entanto algo que me assusta. Cheguei na Quarta-feira à noite e as eleições para o parlamento da Irlanda do Norte ocorreram logo no dia seguinte. O Sinn Féin recuperou muitos dos votos perdidos em eleições ao longo dos últimos 20anos. O discurso do presidente do partido parece dar a entender que o regresso do IRA pode estar para breve.
"Anyways":
Cheguei! Cheguei bem! Já explorei uma parte da cidade. É fantástica. É atravessada pelo rio Foyle. Tem uma cidade muralhada, um bocado à semelhança de Óbidos, e a cidade cresceu à volta dessa muralha.
Escusado será dizer que, como já viram no Fb, já tive de "ir para os copos". Pessoas super animadas, que sabem mesmo como se divertir. Bebem que se fartam. As idades das pessoas que encontrei nestes espaços, vão dos 18 aos 80(!) anos. E até agora, as pessoas mostram-se preocupadas em perceber como nos podem ajudar. Ou não falam "gaelic", ou tentam falar mais devagar, ou tentam reduzir o sotaque. Ou seja: "so far, so good!"
terça-feira, janeiro 24, 2017
"T minus 34 days"
Esta ideia da contagem decrescente é difícil de levar até ao fim.
Parece que todos os dias, o meu pensamento é único e sempre o mesmo. Torna-se difícil contar os dias. Cá por mim podia ser já amanhã. Mas, e se fosse já amanhã? Ainda não tenho nada pronto. Ainda não me mentalizei. Tenho a lista pronta. Tenho algumas coisas compradas que sei que precisarei. Mas ainda há tantas outras que tenho adiado. Talvez para me esquecer que vou partir numa aventura.
Parece que todos os dias, o meu pensamento é único e sempre o mesmo. Torna-se difícil contar os dias. Cá por mim podia ser já amanhã. Mas, e se fosse já amanhã? Ainda não tenho nada pronto. Ainda não me mentalizei. Tenho a lista pronta. Tenho algumas coisas compradas que sei que precisarei. Mas ainda há tantas outras que tenho adiado. Talvez para me esquecer que vou partir numa aventura.
segunda-feira, janeiro 23, 2017
"T minus 35 days"
Um dia se passou e as dúvidas subsistem.
O que levar? Problemas do sistema monetário - troco, ou não?
É sempre uma chatice. Vou só por dois meses, faço uma lista de coisas indispensáveis que tenho mesmo de levar. "3 kg são muita coisa, mas parece tão pouco.
Se há coisa que não quero fazer, é levar a casa toda às costas!!
O que levar? Problemas do sistema monetário - troco, ou não?
É sempre uma chatice. Vou só por dois meses, faço uma lista de coisas indispensáveis que tenho mesmo de levar. "3 kg são muita coisa, mas parece tão pouco.
Se há coisa que não quero fazer, é levar a casa toda às costas!!
domingo, janeiro 22, 2017
"T minus 36 days"
Faltam 36 dias para embarcar em mais uma aventura! Acho que ainda não tive tempo para criar muitas expectativas. Ainda não sei bem se estou com receio do que vou encontrar, ou se estou super excitado pela partida e oportunidade que se me foi presenteada.
Sei no entanto que é isto que quero fazer. Sei de certeza que vou para desempenhar as minhas funções com o brio e responsabilidade que me foram reconhecidas em todos os trabalhos que já fiz.
Sei no entanto que é isto que quero fazer. Sei de certeza que vou para desempenhar as minhas funções com o brio e responsabilidade que me foram reconhecidas em todos os trabalhos que já fiz.
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