quinta-feira, abril 17, 2025

Abreijos e vamos falando!! ;)

Hoje acordei com a sensação de que as coisas estão mais leves.
O peso do mundo não me sobrecarrega.
Os problemas dos outros não são os meus.

Mas nem tudo ainda vai bem..
Ainda há a procrastinação. A dificuldade de manter a concentração, numa actividade, por mais de 30 minutos. Mas com o tempo, lá chegarei.

Há 15 anos atrás, atravessei um dos momentos mais "traumáticos" a nível pessoal. Doeu. Mas lá acabei por ultrapassar esse momento menos bom sozinho.

Dois anos depois, perdi um dos pilares da minha família. Uma das pessoas que mais amei em toda a minha vida. E doeu, saber que aquela pessoa que se encontrava pálida, de mãos cruzadas sobre o peito, não voltaria a sorrir para mim, a dizer o meu nome. Que não voltaria a abraçar. E chorei muito. Muito mesmo. Mais do que possam imaginar.

Há dois anos atrás, aquele que gosto de chamar "o meu primeiro irmão", partiu sem que me pudesse despedir. E quando olhei para ele através de um vidro pequeno numa caixa de madeira, chorei novamente como não chorava há muito tempo. Saber que não o voltaria a abraçar, que não voltaríamos a rir, a brincar, a gozar um com outro, causou em mim uma enorme sensação de vazio. 
Ainda penso neles, nas suas caras, vozes, sorrisos, e tantas histórias que tivemos juntos. Essas memórias, tempo algum apagará. O Tempo serve só para que não escorra pela minha face o "mar salgado" com a tristeza e saudade dos que partiram. Essa ampulheta infinita serve unicamente para que as recordações me arranquem um sorriso mental, ou não, ou mesmo para que se arrepiem as carnes e os cabelos com as memórias inapagáveis das pessoas que tive a sorte de terem cruzado a minha vida mas, sobretudo, a quem tive a Fortuna de poder chamar de família.

Há meia dúzia de meses, o cansaço físico e emocional que já vinha a experienciar, fizeram com que uma outra experiência se tornasse em mais um trauma. Com a diferença de que desta vez, não o consegui ultrapassar sozinho. Precisei de pedir ajuda. E é engraçado como sem dar conta, o tipo de ajuda (psicológica) que procurei, me ajudou efectivamente - a superar as crises de ansiedade, de choro e de tristeza que se apoderavam de mim.
Mesmo sem dar conta do progresso, o certo é que hoje, vejo os meus dias com uma clareza e clarividência diferentes, apesar de alguns disparates que ainda vou fazendo, ou que me vão acontecendo.

Meus queridos... A saúde mental é efectivamente uma coisa séria e que não se deve descurar. Eu estou aqui deste lado para o caso de alguém querer um miminho, um abraço, um copo ou um ouvido. Mas saibam que mesmo não possuindo meios profissionais de diagnóstico, irei dizer a todos os que entender necessário que um aconselhamento profissional, não é nada de que se devam envergonhar. Eu não me envergonho de nada, nem de no momento mais sombrio, muitos pensamentos me terem passado pela cabeça e ter de imediato tomado consciência que o melhor era pedir ajuda.

Obrigado à minha psicóloga!! (Não te assustes que isto não é uma carta de despedida). Se não fosse ela, talvez ainda estivesse preso a algo que me impedia de me mover no presente, de olhos postos no amanhã. A minha dádiva é essa... O acordar todos os dias de manhã. A minha Gratitude é a Felicidade de conseguir voltar a dormir descansado e saber que o dia seguinte será e trará novas razões belíssimas para se estar vivo. Eu sei que estou!!
E vocês??

Abreijos e vamos falando!! ;)

quinta-feira, fevereiro 06, 2025

Fiz merda da grossa, não fiz?

 "Às vezes ficava durante a noite só a olhar para ti. Lembras? E perguntavas para onde estava a olhar e porquê. Lembras? Ainda te lembras da resposta que te dava?"

"Não. Porquê?"

"Eu respondia que estava a tirar fotografias mentais. Que queria que a tua cara ficasse para sempre gravada na minha memória."

"És mesmo a última das românticas."

"Talvez. O certo é que ainda me lembro de cada traço do teu rosto. De cada saliência das tuas costas. De cada microlímetro do teu corpo."

[Mas foi há tanto tempo. Como é possível?]

"Sendo. Eu disse-te tantas vezes que não te iria deixar fugir de mim. E víveres na minha memória é uma dessas formas. Ainda me lembro como gostavas de fazer sexo comigo. Como te forçavas para não fazeres barulho, quando o que querias era libertar todo o êxtase em que te deixava!"

"Mas és muito tradicional!"

"Não sou não. Não me deste tempo."



"Fizeste-me duvidar de mim. Que não tinha valor. Que era uma merda e que não sou feita para estar numa relação. E se calhar é verdade! Posso não ser feita para isso, mas tenho valor. Não sou uma merda. Sou mesmo a última das românticas e só sei ser assim por inteiro."

domingo, janeiro 26, 2025

Puta que pariu!

 "Queres ir dar uma volta? Tens tempo?"

"Corazón, tenho todo o tempo do mundo. Sabes, aquele que não me deste? Eu tenho todo!"

"Porque me chamas essas coisas?"

"Achas que és o único que trato assim? Já devias saber que trato toda a gente assim. Mas a uns o tom de voz é diferente.  O sentimento é diferente. A sério que nunca reparaste nisso?"

"Talvez. Mas nunca pensei muito nisso. Estás diferente!"

"Já te disse... Estou mais magra!"

"Não é isso! É outra coisa qualquer que ainda não percebi."

[Posso-te fazer uma pergunta?]

"Claro que podes. As que quiseres!"

[E respondes com a verdade?]

"Como sempre disse que responderia!"

"Porque fizeste a tatuagem?"

"Tatuagens! E não sei por que me disseste que às vezes não acreditavas em mim. Quando é que não acreditaste em mim? E até já tinha juntado o dinheiro para te oferecer uma. Sei que queres mais!"

"Fizeste mais?"

"Sim. Uma em cada gémeo. Uma num braço, duas no outro e a tua inicial no peito!"

[Porque raio foste fazer isso?]

"Por uma razão muito simples... Da mesma forma que me disseste que sabes que nunca terás com mais ninguém o que tiveste comigo, eu sei que também não terei! É uma pena não teres noção do bem que me fazias. Saber que saía do trabalho e podia contar contigo para trocar umas mensagens sobre o meu dia. Saber que, apesar de pouco, saber que pelo menos duas vezes por semana estava contigo porque tu querias mesmo estar comigo, saber que eu era a pessoa em quem pensavas quando tinhas algum problema, mesmo não me falando sobre ele. Saber que era o teu abraço o que eu mais queria. O meu porto seguro, era nos teus braços que o mundo desaparecia e ficávamos só os dois! Mas diz-me... Quando é que alguma vez te disse alguma coisa em que não acreditaste?"

[Não sei. Desculpa!]

"Não tens que pedir desculpa!"

Saíram da esplanada e caminhavam sem destino outra vez. Pela primeira vez, aquela cidade era estranha para ela. Era a primeira vez que caminhavam juntos por aquelas ruas.

"Não andas com o anel que te dei!"

[Não. Não quero que me lembre de ti.]

"Fazes bem!"

[Como?]

"Queri.... Desculpa! Claro que fazes bem em não querer coisas que te lembrem de mim. Torna-se mais fácil seguir em frente! Eu mantenho os bilhetes no mesmo sítio. E a madeixa também. Mas é um sítio que como sabes não olho muito para lá e acabo por esquecer!"

[Podemos ir a minha casa? Ainda tenho algo para ti.]

"Não! Eu disse-te... Se quiseres, sabes onde moro. E não tens de ir a minha casa. Não estou a ser folgado. Estou a ser racional. Eu quando quero oferecer alguma coisa, vou ter com as pessoas!"

[Acho que nisso tens razão.]

"Claro que tenho."

[Ainda acho que estás diferente e não é por causa do peso!]

"Custou-me muito descobrir o que se passava comigo. Ainda não estou boa mas, os ataques de ansiedade são cada vez menores. Mas tenho algo muito importante para te dizer. Promete que não levas a mal, e não interpretas erradamente. Eu não te odeio. Serei incapaz disso."

"Força!"

"Gosto de ti como nunca gostei de ninguém. Mas tu tomaste uma decisão que me magoou muito. Nunca consegui perceber o porquê. Não percebi o que querias dizer com um passo atrás. Fiquei sem saber o que quiseste dizer quando falaste em <<Não é o momento>>. Ainda pensei que se te desse tempo e espaço suficiente, irias voltar a querer falar. Ainda pensei no passo atrás e chamar-te para um cinema..."

[Porque não o fizeste?]

"Já não me competia! Alguém te disse que o falar contigo era uma decisão minha. Verdade e mentira. Verdade... Não imaginas a quantidade de vezes que quis estar contigo para te contar as minhas coisas. O retomar de projectos antigos. Ter a tua opinião. Não imaginas a quantidade de vezes que quis só o teu abraço. E tu? Alguma vez quiseste o meu? Aquele cafuné na cabeça? Eu quis fazer. Imaginei a quantidade de vezes que o quiseste ou precisaste e não me o pediste por causa desse teu enorme orgulho. Mas não faz mal.
Quero só que saibas que estarei sempre do teu lado. Pensarei em ti todos os dias da minha vida. Desejarei o nosso "segundo primeiro date" que nunca chegará. Mas tens de ser tu a querer. Eu cansei um pouco do teu silêncio e que me trates mal quando falamos. Eu estive a nossa relação a pensar sempre muito bem no que dizer para não te magoar. E quando decidi que queria falar contigo para percebermos bem em que ponto estávamos, decidiste da noite para o dia afastar-me!
E se a decisão de me afastar foi tua, então a decisão de me ter por perto terá também de ser tua. Eu tive de me adaptar. Lembras que era suposto ajudares-me com algumas coisas do meu trabalho? Tive de me adaptar. Tive de procurar ajuda em outro sítio. E tenho pena!"

[Mas uma coisa não implica a outra... Podes pedir ajuda!] E riu-se com "segundo primeiro date"

"Lá estás tu a decidir ao que responder e o que não responder! Não é isso que está em causa.
Não leves a mal... Por favor... Peço mesmo que não leves a mal. Sei que te magoei quando me pediste ajuda e eu ri e não ajudei em nada. Acredito que eu até tenha sido das primeiras pessoas em quem pensaste. Mas também me magoaste, quando, de certeza sem pensar, me perguntaste se tinha ido ver a tua ex. Eu fiquei para morrer com aquela mensagem. Ainda por cima nesse dia, até sem o portátil eu fiquei. Tudo ajudou!!
Mas cá estou de pé. A gostar de ti. A conseguir falar contigo. A conter-me para não te abraçar, para não chorar...
Mas o que te quero mesmo pedir é que me digas se entendes a minha decisão de sair por completo da tua vida?"

[O que queres dizer com isso?]

"Que só voltarás a saber de mim, a falar comigo se fores mesmo tu a tomar a iniciativa. Já apaguei o teu contacto da minha lista. Escrevi num papel sem nome e guardei num sítio onde me esquecerei dele. Mas não é o suficiente, pois não?"

[Ainda não estou a perceber!]

"Estás, estás! Peço desde já desculpa por isso. Só quero que saibas que estás gravado em mim, na pele e não só. E estarei aqui, à distância de um telefonema, ou de um SMS. Mas terás de ser tu!! E sei que o teu orgulho não te permitirá nunca tomar a iniciativa de falar comigo, ou de aceitar a minha ajuda! Mas gosto de ti, muito e não haverá nunca um dia em que não me lembrarei disso. Estou aqui para ti. Para o que der e vier. O melhor e o pior!"

[Então é assim? Que termina?]

"Não! É assim que recomeça!"

Adoro-te. Mais do que a própria vida!! Quem me dera poder atravessar este Purgatório de vida de mãos dadas contigo. Sofrer contigo, rir contigo, apoiar-te em todas as tuas conquistas, vibrar com elas. Sei que vais ter muitas. Gostava que te visses como eu te vejo. Como o ser mais cheio de luz e carinho que conheço. Convence-te disso. Gostava de ter tido mais tempo para te dizer isso mais vezes. Gostava de ter tido mais tempo para estar ali ao pé de ti no fim do dia. Algum dia irias acreditar em mim. Gostava de estar ao teu lado quando estivesses quase a desistir, só para te abanar e lembrar que eu estaria sempre ao teu lado para tudo mas para nunca te deixar cair. Quem me dera ter tido mais tempo para perceberes que não és um Chris McCandless, não és um evitante. Quem me dera ter tido mais tempo para perceberes isso, e que como ele, gostaria de estar ao teu lado quando percebesses que a felicidade só existe se partilhada. E eu só queria que partilhássemos a nossa, por curta que tenhas achado que foi. Para mim, foi uma vida a teu lado. Gostava que percebesses isso.
Não imaginas a quantidade de vezes que sonhei com a tua voz a dizer que estavas a vir ter comigo.
A quantidade de vezes que os sonhos eram tão reais que acordava e olhava para o telemovel na esperança de algo que não estava lá.
Estou aqui para ti. Hoje e sempre!!
Go'ti, hoje e sempre, nesta vida e na próxima. O futuro é condicional... Se fizeres, acontece! Se quiseres, acontece!
Beijo-te mais uma vez na boca na esperança que o meu beijo chegue ao teu coração!

domingo, janeiro 19, 2025

Promete-me que lês tudo!

 "Eu já não sei andar nisto. O que se passou aqui?"

Já se passou tanto tempo. Ela seguiu o seu caminho. As horas passaram a dias, os dias a semanas e as semanas passaram a meses. Os sentimentos de tristeza e ansiedade íam diminuindo com o tempo, mas mantinha-se com ela. Pesava nos ombros, no peito e na cabeça.

É engraçado como esses sentimentos podem ser poderosos aliados na recuperação de..... Merda!!

"Olá! Estás boa?"

Tanto tempo depois tinham de se encontrar. E aquele sentimento de "gostar" voltava a aparecer.

"Sim. Estou. E tu?"

"Estou óptimo. Que fazes por aqui? Tens tempo para ir beber um café?"

"Pode ser! Mas achas que é uma boa ideia? Tão cedo? As coisas não estão ainda à flor da pele? Tempo é o que não me falta."

[À flor da pele para quem?]

"Sei lá... Para ti. Para mim. Para nós."

Seguiram sem direcção e em silêncio. Ela ainda se lembrava como se fazia. Ainda conseguia ser o "Marcelo" e afinar os silêncios. Ao chegarem à entrada do café, ela pediu para ficarem na esplanada. O dia estava fresco mas solarento. E ela adorava o sol.

"Um café! E tu? Uma Sumersby, certo?"

"Sim."

"Deixa estar que eu pago!"

"Ok. Obrigado. Não vais fumar?"

"Eu disse-te que conseguia deixar!"

"E deixaste?"

"Não. Mas fumo muito menos e só quando me apetece. E ao pé de ti, nunca me apeteceu muito!"

"Estás diferente!"

"Sim. Estou mais magra. Voltei a correr!"

"E o que tens feito?"

"O normal... Trabalho e mais trabalho! Mas porque perguntas? Porque te interessas agora e não antes? Só porque nos encontrámos?"

"Desculpa. Não quis ofender!"

"Não ofendes. Mas é pena que tenhas desistido de querer falar, ou estar!"

"Fiquei com a ideia de que não irias mais querer falar comigo e que era uma decisão tua que eu teria de respeitar!"

"Não querido! O que eu mais queria era continuar a falar contigo mas, tu é que fizeste questão de me afastar da tua vida!"

"Não me chames querido!! E como é que eu fiz isso?! Eu até te disse que queria que continuássemos a falar."

"Pois foi. Mas quando falava contigo, tratavas-me mal. Ou pelo menos muito friamente. Não me respondias e quando respondias era com sete pedras na mão!"

"Oi?!? Nada disso!"

"Deixa estar querido"

"Já te disse para não me chamares isso!!"

"Lá estás tu! Vês como te disse que me afastavas? É isso. Já devias saber que é o meu jeito de tratar as pessoas de quem gosto!"

[Ainda gostas de mim?]

"Mas é claro que sim! E irei gostar até que o Alzheimer me pegue!!"

[Mas como? Depois do que te fiz!?]

"Paixão... Como poderia não gostar?"

"Eu não sei mesmo o que fiz para merecer a tua atenção. Mas tu és incrível e sei que nunca mais terei isso na minha vida."

"Queres saber o que fizeste? Existes! És o único homem por quem me apaixonei sem querer. Não sou fútil para procurar homens bonitos e bem constituídos. Procuro companheirismo. Procuro inteligência, cultura, formas de estar na vida diferentes. E tu tens tudo isso. Isso é que me fez olhar para ti! E não esquecer que eu sou uma pessoa que gosta de desafios. E tu desafiaste-me muito! Só tenho pena de uma coisa..."

"O quê?"

"Lembras que eu sempre disse que nunca te deixaria fugir? Uma vez até brinquei com isso. Lembras, íamos de carro e falou-se sobre isso e eu até reduzi a velocidade? Perguntaste logo se eu já estava a desistir de ti?"

"Não me lembro. O que tem isso a ver?"

"Eu quase desisti de ti. No dia em que abalaste por completo o meu mundo todo! Mas recuperei. Cá estou!"

[Mas estás bem? É que dizes que ainda gostas de mim?]

" Claro que estou bem. Estou bem porque gosto de ti!"

[Isso não faz sentido nenhum!]

"Claro que não faz sentido. Mas é exactamente isso que é esse sentimento que tenho por ti! Lembro-me que me disseste que dar uma segunda oportunidade era errado porque ninguém tinha errado. E tinhas meia razão. Eu errei quando abri mão de ti sem lutar. Desculpa-me por isso! Sei que precisavas de mim e eu simplesmente ouvi o que tinhas a dizer e mais nada! Mas também tinhas razão. Não era uma segunda oportunidade que te deveria ter pedido. Era uma segunda hipótese de voltarmos a criar algo diferente!"

"Não é nada disso. Não tens que pedir desculpa. Sempre te disse que o problema é meu!"

"Eu sei que o problema é teu. Mas o teu problema afectou-me a mim. Não me deste sequer hipótese de poder ajudar de alguma forma!"

"Mas tu não tens nada que ajudar com as minhas coisas!!!"

"Claro que tenho! Quando gostamos, cuidamos!"

"Não gosto de Caetano!"

"Eu sei que não! Mas ainda não acabei!! A verdade é que para além do pedido de desculpa, tenho um "obrigada" ainda maior!"

"Não estou a entender... Agradecer o quê?"

"Eu tinha deixado de procurar uma pessoa. E no dia em que percebi que gostávamos um do outro, e que era algo que queríamos fazer, eu permiti-me a voltar a gostar de alguém. E por isso tenho de agradecer. Eu voltei a ter sentimentos por alguém. Eu voltei a sonhar com alguém. Eu voltei a sentir desejo e a sentir-me desejada! E foi.... Não!! É tão bom!"

"É?"

"Sim. É!! Eu disse-te que me tinhas deixado num farrapo. Foi verdade durante algum tempo. Não dormia nada. Acordava a meio da noite e não conseguia voltar a adormecer. Acordava a sonhar contigo. Adormecia a sonhar contigo. Cheguei a ter um pesadelo que me fez questionar se o pesadelo tinha sido real ou não! Disse-te que uma lasca se perderia para sempre e teria de saber o que seria porque ainda andava a apanhar os cacos. A lasca não se perdeu. Eu sei que és tu que a tens! Podes ficar com ela."

[Não estou a perceber. Que lasca?]

"A lasca que se perde quando alguém parte alguma coisa. Podes tentar colar os bocados, mas uma lasca vai-se sempre perder. No meu caso, eu colei os bocados todos e percebi que a lasca que falta és tu que a tens! E podes guardá-la ou deitar fora. Sei que não acreditas muito nessas coisas mas, a verdade é mesmo esta. Sempre te disse que nunca te iria mentir. E não estou a mentir. Digo-te que aquilo que senti e passei contigo não voltarei a sentir. Porque não quero! Porque a única pessoa no mundo que algum dia se interessou verdadeiramente por mim foste tu! E não digas que te serviste dos meus sentimentos porque eu nunca percebi isso! Como te serviste deles? E para quê? E como me usaste? Para quê me usaste?"

[Eu não sei mesmo o que fiz para te merecer daquela forma]

"Já te disse. Simplesmente existes com todas as tuas imperfeições. Tenho pena que não possamos ter uma outra hipótese..."

[Eu nunca disse isso...]

"Podemos?"

[Não sei. Depende de nós. Mas ainda não sei se consigo.]

"Isso quer dizer que ainda gostas um pouco de mim?"

[Claro. Já te disse que não voltarei a ter o que tive contigo]

"Não te preocupes. Posso-te fazer bem mais e melhor. Tu desististe de me conhecer. Tu só conheceste a minha parte boa. A carinhosa, a simpática, com sentido de humor e divertida. Nunca conheceste o meu lado sombrio. E acredita que eu tenho um. Eu tenho os meus problemas e nunca os conheceste verdadeiramente. Podes conhecer. Gostava que um dia me ajudasses a resolver esses problemas como estavas a fazer sem saberes."

quinta-feira, janeiro 09, 2025

Já te desejo tanto!

 Nem sei por onde começar...Desta vez tou mesmo à rasca! Foi-se a minha inspiração. Não consigo escrever nada. Estou preso. Tenho os dedos presos, a mente atarracada. Por mais que coisas boas, ou más me aconteçam, por mais música que oiça, por mais cigarros que fume, ou passe noites em frente ao pc, nada me sai.Será ela que me faz isto? Não a consigo tirar do pensamento! Espero sempre por algo dela. Uma palavra, um som, um olá. Como posso deixar que isto me aconteça outra vez? Como me podeste fazer isto? Sai da minha mente! Deixa-me em paz...NÃO. Não faças isso. Não me deixes. Quero-te junto de mim. Quero-te com todas as contradições que isso possa implicar. Sim/Não, Quero/Não quero, Pode ser/Não pode ser.Quero poder saber se temos algo em comum. Quero selar contigo um pacto de estabilidade. Estabelecer esse mesmo pacto com base numa confiança. Com base numa promessa que, o que daí advier será algo que ambos queremos.Pactua comigo! Dá-me uma chance. Deixa-me dizer-te que quero estar contigo. Que me fazes tremer quando apareces. Que quando apareces, sinto-me esquisito e, faltam-me as palavras. Fazes-me falar de trivialidades. Não consigo estar ao pé de ti, mas só quero estar contigo."Stay the night". Deixa-me estar contigo. Quer estar comigo! Quero tanto dizer-te tanta coisa. Quero conhecer-te melhor e sentir-te mais. Já me fazes tanta falta.Nunca quis nada que isto me voltasse a acontecer! Sempre quis "ficar para tio". Como posso baixar tanto a guarda? Para onde vão as minhas forças, quando estou junto de ti? Não queria voltar a amar! Mas por mais que me esconda, por mais que force esse magnifico sentimento ao exílio, ele teima em voltar para me atormentar com todas as suas implicações. O desejo, a falta dele, o querer e o não querer, a lucidez e a loucura, a sobriedade e a ebriedade..."Can't take my eyes out of you". Sim,, já não consigo tirar os meus olhos de ti. E mesmo que os feche, a tua imagem surge-me tão cristalina quanto água. Os teus olhos de mel, a tua face, o teu sorriso, a tua voz. Nada disto me sai do pensamento.Como posso voltar a desejar tão depressa, com tanta força? Que merda. Quero a minha segurança de volta, mas quero tanto estar inseguro, junto de ti!Quero cair num sono tão profundo que tudo o que sonhar não acabe mais. Quero sonhar contigo. Sonhar tanto, que não mais acorde e, esse sonho seja para sempre a minha prisão. Mas será uma prisão tão deliciosa, quanto um dia primaveril. Será uma prisão, onde só eu darei o rumo à minha vida. Onde eu farei o que quiser, onde nada me acontecerá. Onde só eu comandarei o Destino. Onde eu deixarei de conseguir distinguir o sonho da realidade e, onde esse sonho se tornará na minha realidade.Desta maneira, onde irei parar? Porque não posso, por uma vez, conseguir algo a que anseio tanto? Onde vou parar desta maneira?Já te desejo tanto!!

quarta-feira, janeiro 08, 2025

Brown eyes and Rosie lips

 Hoje lembrei me dos teus olhos castanhos e dos teus labios rosados... Lindos. Quer dizer... Tudo em ti é lindo. Pena que não te o diga. Pena que só eu o sinta. Pena que só eu o diga! Como gosto de olhar para ti... Como gosto de estar contigo... Como gosto de sentir a tua presença...

Fico nervoso ao pé ti... Os teus olhos transportam me para longe, para locais nunca antes vistos, nem descobertos. E os teus lábios?! Fazem me pensar em algodão doce que adorava trincar como se de uma sobremesa se tratassem. Ah... Como é bom sentir assim e desejar assim! Ah... Como é bom guardar na minha mente as folhas de Outono que me olham. Como é bom guardar na mente o algodão doce falante que chama o meu nome... Ah... Como é boa a tua presença e o teu sorriso. Como são bons os breves instantes que passo contigo.

O tempo parece parar e não existe nada para além de nós. Mas também a ti eu vejo parada. Só eu continuo na incessante busca de algo longe de tudo e todos. Mas não deixarei de te "perseguir" e encurtar o espaço entre nós, até não sobrar nada a não ser o microlímetro.

Adoro te... E já me custa não te ver uma vez ao dia que seja. Anseio chegar a casa para descansar e não te tirar da cabeça, sem mais nada em que pensar. Só a tua imagem... Só os teus brown eyes e rosie lips...

terça-feira, janeiro 07, 2025

Sonho ou realidade?

Day 14: Aconteceu! Ela teve o primeiro pesadelo. Ou foi um sonho? De qualquer das formas, começou a duvidar de tudo o que aconteceu. Já não tem a certeza do Cronos. Aconteceu como se lembra, ou a realidade é a que a acordou cheia de suores frios e encharcada no leito que era deles? Foi buscá-lo nesse dia. Foram primeiro ver as luzes. Uma multidão enorme mas apenas uma se destacava. Brincava com ele e com um cão. Ele corria a brincar com o animal. Olhou para elas e decidiu que era tempo de ir. Veio com ela já com a ideia fixa de que tinha de se sentir poderoso ao saber que iria conseguir fazer algo inédito... destruir a única pessoa capaz de o desarmar. E foi o que fez. Mas antes ela tentou segurá-lo. Trocaram o leito só para que ela o pudesse ver dormir. Passou essa noite em claro. Como tantas outras antes a ver aquele corpo a dormir. Ficava feliz com essa sensação. A de que alguém se pudesse sentir seguro com ela a dormir. Mais tarde, encontraram-se. Nesse encontro, ele fez questão de acabar o que já houvera começado. É a nova. Foram eles que me a apresentaram. Obrigaram-me a sair da zona de conforto e conectamos instantaneamente. Ela foi um percalço e um "não" sonoro acordou-a nessa noite fazendo duvidar da realidade. E como não tinha forma de saber, acreditou no sonho. Nesse dia odiou[-se] mais do que a Vida!

segunda-feira, janeiro 06, 2025

Foi assim que começaram!

Day 13: "Porque é que só respondes às vezes?" "Porque fizeste uma afirmação e não uma pergunta!" "Mas a afirmação é sobre ti e implica uma pergunta!" "Então é porque se calhar tens razão, ou eu não quero responder!" "Ok!" Mas que merda, pensa ela. De onde vem esta memória? Que conversa foi esta. Lembra-se que foi com ele apesar de não se lembrar do contexto. "Gostava de ter conhecido há mais tempo!" "Eu também. Mas foi agora e isso é o que importa!" "Go't ti!" "Eu também!" Esta memória é das primeiras. Esta ela lembra-se. E do sítio em que foi. E o que aconteceu depois também se lembra! "E vais continuar a gostar?" "Talvez cada vez mais." "Talvez?!?!" "Sim. O futuro é condicional." Volta a lembrar-se de onde estava. O sítio exacto do percurso! "Já não sei se gosto de ti!" "Desculpa... Não ouvi bem o que disseste!" "Ouviste sim!" "Mas o que se passa? Não és tu, sou eu. Acho que tenho qualquer coisa?" "Qualquer coisa, o quê? Quem?" "Não sei. Ninguém!" "Mas queres que saia?" "Não!" "Queres que fique?" "Não sei!" "E o Natal com as famílias? E a Passagem de Ano com os amigos?" "Não sei, não sei... Deixa-me em paz!" "Mas as férias estão aí!" "Eu sei. Deixa-me em paz!" Lembra-se do dia vivamente. Demorou mas descobriu qual a lasca que se perdeu. Voltou a lembrar-se do ódio, do bloqueio do número de telemóvel, das mensagens que não mais foram trocadas, mas sobretudo de nunca mais ser capaz de amar ou receber amor. Lembrou-se que não mais olhou a cara dele. Desprezou-o durante anos. Talvez ainda! E lembrou-se da ansiedade que ficou por não ter tido a coragem de dizer o que devia ter sido dito, de não fazer o que devia ter sido feito! "Segunda oportunidade? Para quem? Para quê?" "Para mim!" "Mas não fizeste nada de errado!" "Para ti!" "Mas o que fiz de errado?" "Nada! Para nós! O que temos. O eu gostar de ti e tu de mim!" "Achas que conseguimos?" "Acho que sim porque..." O Futuro é Condicional. De onde vem essa ideia? Será que é verdade? Ela achava sempre que o futuro era incerto e não condicional. Mas o que é isso? É um "se"!!! É isso que é. O futuro é um "se" e como ela gostava de "ses". Foi isso que a levou a sussurrar-lhe ao ouvido a primeira vez. "Vamos viver um dia de cada vez. Prometes?" "'Bora! Pensar no futuro traz ansiedade!" Lembra-se da noite que ele lhe lhe disse isso da primeira vez! Então porque será que desistiu de viver com ela um dia de cada vez? "Voltaste a estar com alguém?" "Mais ou menos. A primeira lasca que se perdeu foi essa! Não consegui entregar-me. Ele despiu-se eu eu também. Mas não houve nada. Não consegui. Ainda não me sais da cabeça! Não aconteceu nada pois não parava de dizer o teu nome aos berros na minha cabeça. E mesmo sabendo que era outra pessoa na minha frente, só via o mel dos teus olhos!" A verdade é que é verdade! Ela sabe que se engana quando tenta estar com outra pessoa. Que é supérfluo e que não significa rigorosamente nada e é horrível porque engana outras pessoas mas, mais grave, engana-se a ela própria! "Vamos beber um café?" "Não sei se é boa ideia!" "Porquê?" "Sei lá! Talvez...." Talvez é horrível. Ou sim ou sopas! Será que tem medo? Será que se olhar a cara dela se lembra de algo? Sente algo? Será que teria a coragem de o admitir? Ela sabe que não. Conhece-se. Ela também tem medo! Mas foi há tanto tempo, que esse medo se foi dissipando. "O que ninguém sabe, ninguém estraga!" "Será? O que queres dizer com isso?" "Vem cá que eu digo-te ao ouvido." "Não faças isso!" "Porquê?" "Porque posso aceitar!" "Então anda. Como vieste da primeira vez. Mas agora não dizemos a ninguém! E encontramos-nos onde quiseres, sem falar a ninguém e sem falarmos nós! Porque o essencial é invisível aos olhos. E nós ainda somos essenciais um para o outro!" "Não gosto..." "Eu sei que não gostas do livro. Mas cala-te e ouve!!" Ainda é possível. O mundo não está ao contrário se ainda gostam um do outro! "Já reparei que gostas de mim e eu gosto de ti! Porque não ver no que dá?" "Siga! Estava a pensar o mesmo!" Foi assim que começaram!

Certo, não é?

Day 12: De volta às rotinas! Podia ser que assim ela se distraísse mais. Dormiu com o comprimido na mesinha de cabeceira. Ainda se recusa a tomá-lo. Adormeceu a ouvir música agarrada ao BilliWinsky. Mas acordou durante a noite. Uma dor tão grande no peito, dilacerante. Mas esta era mesmo física. Levantou-se, foi beber água e voltou a olhar para aquele disco químico que repousa na mesa de cabeceira. Deitou-se e adormeceu novamente. Ainda não consegue acordar com o despertador. Sempre muito mais cedo. No entanto, levanta-se da cama. Trata de si, com a alegria da renovação de mais um dia. Olha-se ao espelho e pensa que é linda. Ainda lhe custa andar na rua, no meio das multidões de homens e mulheres e crianças que se cruzam com ela. "Não és tu, sou eu!" Como é que ele lhe podia dizer aquilo? Claro que era ela. Ela é que o tomou por garantido. Ela é que se foi afastando um pouco. Ela é que não viu os sinais de alerta, nem acreditava nas pequenas mensagens de algumas pessoas ou mesmo dele e das suas atitudes. "Eu gosto de ti, se calhar só não tanto como tu de mim!" "Que raio quer isso dizer? Há algum aparelho para medir isso?" "Não!" "Então? Se gostas de mim, se gosto de ti, vamos ver no que vai dar, certo?" "Certo!"

domingo, janeiro 05, 2025

"Não és tu, sou eu!"

Day 7: Demora a entender. Ela sabia bem que ele tinha o caos no sótão. Sempre lhe houvera dito que estaria ali para ele. Para o ajudar sempre que precisasse de um abraço apertado. Sempre que precisasse de sair sem destino. Que o ajudaria a ver-se de outra maneira, como ela o via, como um ser maravilhoso e cheio de luz. Day 8: Apressou-se a arranjar-se. Tinham combinado passar o dia juntos. Mas algo não estava bem. Ela sentia no seu íntimo que o mundo estava prestes a desabar. Pensou em mil coisas mas só uma ficava: Porquê? Ao chegar a ele, viu-o diferente. Mas ainda assim, veio aquele beijo bom de quem ainda gosta. E ela sentia-se tão nervosa. Como podia estar a tremer de nervosismo junta da pessoa que ela mais gostava? O almoço foi simples e rápido. Falaram de coisas triviais, e até das mãos dele. O tremer nervoso intesificava-se e ele pede para a ir matar ao sol. "Sabes que preciso falar uma coisa muito importante contigo, certo?" "Sei. Queres-me dizer que nunca tive hipótese!" A terrível sensação de injustiça vem com "Não és tu sou eu!" Não pode ser!! Ela tinha de ter alguma culpa, só não conseguia perceber onde tinha errado. Mas em algum sítio tinhe de o ter feito. Ela calou-se enquanto ele puxava o tapete do seu mundo. "És a melhor pessoa do mundo. Não tive nunca ninguém como tu. És a única pessoa com quem gosto de passar tempo. Estávamos a conhecer-nos, estava a conhecer-te, e gostei muito da pessoa que conheci mas, não quero conhecer mais!" E as lágrimas começaram a escorrer pela cara dele. Ela manteve-se impávida. Mudou-se para a frente dele e não parava de a acariciar. Pensava em tudo e em nada. O consciente dizia uma coisa e o super inconsciente deixava que ela o acariciasse. Despediram-se com um abraço. Ele apertou-a tanto que naquele momento, se ela o beijasse, ele deixava. Day 9: Desculpa! Foi ao contrário. Nao foste tu, fui eu! Ela queria mais dele que o que ele podia dar. Ela calou-se. Deixou que ele a estilhaçasse novamente sem se impôr. Sem perguntar porquê. Sem entender porquê. Mas acima de tudo, aceitou sem ser capaz de dizer que as coisas se deviam resolver a dois, nunca de um forma tão individualista. Entendeu o caos em que ele vivia mas teve pena de não ter mais tempo para ajudar a organizar. Day 10: O carinho que lhe teve ia oscilando entre memórias boas e momentos de raiva. Odiava-o por não ter tido a coragem de falar com ela mais cedo. E lembrava-se dos passeios, das conversas, das horas infindáveis na cama, passadas entre conversas e intimidade. E ódio desaparecia novamente. Quase se odiou a ela própria por não ter dado ouvidos. Por nao ter sido o Mwanito de outrora, aquele que escutava todos os silêncios. Day 11: Estilhaçada duas vezes. Demorou a juntar os cacos. Mas houve sempre uma lasca que nunca foi encontrada. Desta vez, uma outra lasca desapareceu. Há sempre algo irrecuperável! E no caso dela, ainda era cedo para saber o que viria a ser.

quarta-feira, janeiro 01, 2025

Coça

Day 3: Dormiu tão mal. Acordou várias vezes durante a noite e demorava a voltar a adormecer. E chorou. Chorou muito ao lembrar-se de como tinha sido descartada daquela forma. Durante muito tempo esteve esquecida de como tinha lutado naquela relação. As surpresas, as viagens, as conquistas de ambos. Mas só ela é que lutava. E quando ele se sentia mais em baixo, ela fazia de tudo para o segurar. E era o que ela queria... Que ele soubesse que ela era forte por todos. Day 4: Ainda não conseguiu dormir em condições. Voltou a chorar muito. A sensação de comichão debaixo da pele não lhe dá tréguas. Precisa de se lembrar como fez antes para ultrapassar. Não consegue e só faz pior pois os fantasmas voltam para a assombrar. Recorda o primeiro beijo. Foi estranho. Lembra-se que a boca sabia a batom de cieiro. Mas havia um outro sabor misturado. Recorda que depois desse beijo, houve algo de estranho. Ficou sem saber o que dizer em seguida. E esse silêncio provoucou nela um misto de euforia e satisfação. Lembra-se da primeira vez que dormiram juntos. Foi estranho. No final houve uma distância dele. Como se estivesse só a confirmar o que viria a acontecer. Day 5: Continua a chorar na almofada. Como é que ele deixou que ela se apaixonasse só para a descartar tão friamente? E ela ficou imóvel. Sem chão. Ouviu, encolheu os ombros, não falou, nem pediu a segunda oportunidade a que tinha direito. Ou pelo menos, ela achava que tinha direito a isso. Ela achava que toda a gente deve ter esse direito. Mas será que é mesmo assim, ou mesmo isso? Day 6: Ainda não dormiu direito. Os pensamentos atravessam a alma. Pensa em formas de acabar de vez com a comichão por baixo da derme. E nesse momento, lembra-se de ligar a uma amiga que lhe marca logo consulta para o dia seguinte. Day 7:

terça-feira, dezembro 24, 2024

Remanescências

Dia 0: A sensação de "deja vu" deixa-a ansiosa! Segue distraída nos seus pensamentos e nas divagações. Faz o percurso de carro e chega ao destino sem sequer se lembrar de ter feito o caminho. A sala branca vazia de almas convida a mais alguns pensamentos. Será que está tudo bem comigo? E se o problema voltar, como dar a volta a uma situação recorrente? A enfermeira, convida-a a entrar e esperar que o médico regresse com o resultado dos exames. O consultório é amplo. Tem uma mesa rectangular, de vidro opaco com o monitor em cima e umas molduras. Mas só lhe vê as costas. Imagina que fotografias lhe viram as costas. Talvez numa delas seja o médico com a esposa (será que é casado?) num qualquer destino de algumas férias. E os filhos noutra. Se é que tem filhos? E que idades? As paredes são brancas, despidas de ornamentos. Que sala fria! Duas cadeiras, aquela em que se senta de momento, almofadada no acento e nas costas, dá-lhe a sensação de ser massajada. Aquela em que se sentará o médico, ergonómica, preta, com apoios para os braços e um recosto para nuca. Imponente! A maçaneta da porta roda, as dobradiças chiam um pouco e nas suas costas surge o senhor doutor já pedindo desculpa pela espera que a fez passar. Passa por ela, estica-lhe a mão para a cumprimentar. Ela levanta-se um pouco da cadeira e retribui o aperto de mão. Vigoroso, o médico. Mão macia. E ele é novo, Estará na casa dos 30. Contorna a mesa e senta-se. Afasta o monitor para que não haja aquela barreira entre os dois. O contacto visual é fundamental. Abre os testes na secretária, analisa, lê, e diz-lhe que está tudo bem. Os resultados vieram negativos. Já não há remanescências. Está liberta de um monstro que durante um ano lhe comia as entranhas lentamente. Agradece ao doutor e sai do consultório com um sentimento de alívio. Entra no carro e segue de volta a casa. Mais uma vez, não se lembra de fazer os km que separam os dois espaços. Ao chegar a casa, aquele porto seguro, parece que já não é mais o Atlas a segurar o peso do mundo nos seus ombros. Mas algo a incomoda. Uma sensação de que algo não está bem. Dia 1: Dormiu uma bela noite de sono. Acordou, tomou o duche, um belo pequeno almoço e sai. O dia está lindo, solarento. Tem um almoço de amigos. Ao sair de casa, sente aquele calafrio na espinha que a faz tremer o corpo todo. Raios... O que será isto? Está distraída no almoço. Os amigos falam e riem. Há danças e cantorias e ela fala com os amigos discorrendo sobre a sua notícia de ontem. É hora de voltar. Ainda tem coisas para fazer em casa. Lê o que tem a ler e deixa-se tombar na cama não fazendo nada do que precisava fazer. De repente, lembra-se que no dia anterior havia uma sensação de incómodo e logo nesse instante, sente uma comichão que não consegue coçar. É dentro dela. Atrás da cabeça, bem lá dentro. E a comichão incomóda-a pela insistência. E pela persistência. Parou. Mas que raio? Prepara-se para sair e volta para casa tarde. A noite foi animada e saber que traz com ela outro corpo que a aquecerá aquela noite, deixa-a de sorriso maroto. Dia 2: De manhã, convida o corpo a sair. Sem abraço, sem beijo. Só um "vou tomar banho. Quando sair, espero que tu também já o tenhas feito". Ele não tem nome. É só mais outro. A água escorre pelo corpo e pensa como conseguiu ficar tão distante, tão fria como a água que lhe lava os cabelos. Mas espera... Como pode a água ser fria se é a quente que está ligada? O corpo gela e a sensação de comichão alastra-se ao resto do corpo. Mas é por dentro da pele. Como se coça dentro da pele? E o que raio será isto? À medida que se vai tentando libertar desta sensação incómoda, tem uma epifania... Foi naquele dia! Quando ele a descartou tão facilmente como se troca de camisa. Foi nesse dia que se tornou fria, como a água quente que agora desce pelo ralo. A água já não é fria?! Day 3:

sexta-feira, outubro 04, 2024

Porque eu já não sei escrever. Não quero escrever!!!

São duas da manhã. Estou despida de mim. Estou parada na tua frente. Quero te dizer o que quero mas, as palavras enrolam com a língua que fica presa na cavidade que quero beijada. Diz-me o que queres de mim!! Diz-me com todas as letras! Não escondas. Sê honesto, sincero. Mas não te escondas! Estou despida de mim. Olha a minha alma. Vê-me, como mais ninguém vê. Conhece o meu melhor e o meu pior. Saí de casa tão cedo que não me lembro se ainda estava acordada. Passeei pelo dia, errante nos meus próprios pensamentos e na minha solidão interna, os meus pensamentos são sempre tu. Recuei o tempo na minha cabeça e percebi que toda a minha vida.............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. Já não sei escrever. Já não quero escrever. Quero afundar-me em ti e esquecer que somos a soma do que fazemos. Estou despida na tua frente. Olhas-me nos olhos e diz que queres ver mais.............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. Porque eu já não sei escrever. Não quero escrever!!!

terça-feira, janeiro 19, 2021

"Não te estou a ouvir"

Este texto não foi encomendado. Este texto é da minha autoria. Este texto reflecte a minha opinião. Muito se tem falado sobre tudo. Nestes dias, fala-se de CoVid-19, fala-se de política, de extrema-direita e de extrema-esquerda, de hospitais sobrelotados, de ambulâncias à espera, de mortos à espera, de.... Será que todos percebemos agora do assunto? Honestamente, acho que sim. Mas, sempre soubemos tudo. À semelhança do resto do mundo, a extrema-direita vai crescendo. Surge com um discurso populista que esconde reais ambições. Esse discurso, assenta como uma luva no que uma faixa populacional, pensa, acredita, mas não tem voz. André Ventura, em Portugal, vem tão simplesmente dar essa voz a quem não consegue dizer ou agir. Os ciganos não trabalham, os pretos estão fora da terra deles, as mulheres estão de férias fora da cozinha, etc, são os argumentos utilizados para criar eleitorado. E vai conseguindo. Os tempos são negros, meus queridos. Não se iludam. Morrem às centenas. São infectados aos milhares. Todos os dias somos bombardeados com notícias, não do mundo lá fora, mas do país cá dentro. Os lares, os tios, os amigos, os primos, nós e os pais. Porra!!! Mas cansa. Tivemos um primeiro confinamento que nos mostrou que há vida em casa, mas vimos isso como uma alienação das nossas liberdades mais básicas. Pedem-nos agora um confinamento com 52 excepções que se podem traduzir em centenas, mas bradamos que nos roubam o direito de sair e beber um copo?! E cerram-se punhos e bradem-se palavrões porque nos é pedido a utilização de uma máscara?! Devemos todos ser os próximos Brad Pitt e Angelinas - o que é bonito é para se ver.. Mas o que me chateia mais é ver classes operárias divididas, e elementos da sociedade desfazados. Pois é... Aqui vai a minha opiniâo: Calem-se com os fechos das escolas. O primeiro professor que me o disser está quase de certeza a mentir. Não somos ricos. Temos de trabalhar para ganhar dinheiro. Mas à semelhança de qualquer outro ser humano, "quanto menos, melhor". O teletrabalho desta classe profissional multiplica-se por 3. E eu, pelo menos, não quero isso. Li recentemente uma senhora a pedir que se fechem as escolas. O ano anterior, da filha correu tão bem que teve uma "das melhores notas nacionais e foi para a universidade e curso que queria". Mas não nos esqueçamos do facilitismo que foi o ano transacto. Os testes, feitos em casa, os trabalhos feitos em casa, e os exames... ah os exames! Desde há muitos anos que defendo um ensino público de qualidade. Fui contra o chamado "Processo de Bolonha", pois acho que arrasta o ensino portugês para a cova. Mas enquanto não se virem os resultados efectivos desse processo, os estudantes portugueses, continuarão a ser (se não os mais bem preparados), com certeza dos mais bem preparados do mundo para a entrada no mercado de trabalho global. Mas o que oiço e vejo por estes dias vai contra tudo o que acredito e defendo. Se mandarmos os alunos para casa, será mais um ano lectivo que facilitaremos e que hipotecaremos a capacidade crítica de mais uma geração. Quando as coisas voltarem ao "normal", batalharão para conseguir o que quer que seja e não lidarão com a frustração. Vejo aqui "a faca de dois gumes", o preso por ter e não ter cão. Assusta, o vírus. Mas a uma juventude sem educação, não podemos pedir muito mais. São estes jovens a quem facilitamos, que saem e choram por não estar com os amigos, e por não poderem beber uns copos, e por não terem uma Queima. São estes jovens que comparam a Universidade com o cabeleireiro. São estes jovens os anti-vacinas. São estes os "flat-earthers". São estes os jovens que votarão André Ventura e nos governarão na reforma. São estes jovens, a quem queremos retirar uma parte fulcral e importante de conhecimentos. E se fecharem as escolas, meus amigos, fodei-vos que eu avisei.

quarta-feira, janeiro 22, 2020

Alegria por não te amar.

Deixei-te na porta de casa.

Tínhamos estado juntos toda a noite. E a noite voou tão depressa que me doeu no mais íntimo a nossa despedida. Rimos tanto que chorei de alegria, a barriga doeu e os músculos da cara ficaram tesos como pedras. Disse-te isso e respondeste "São então as pedras mais bonitas que já vi. O teu sorriso é lindo. Os teus olhos também". Fizeste-me corar. Não estou habituada.

No momento da despedida, quis-te. Quis a tua respiração ofegante. Quis o teu corpo e a tua alma naqueles momentos em que amantes se tornam um só.

Imaginei o sabor dos teus lábios e souberam a gelado de chocolate. Mas que gelado de chocolate?! Nem sequer é o meu favorito. Porque haveriam os teus lábios de ter esse sabor?

Senti as tuas mãos largas, dentro dos bolsos a correr o meu corpo. Apertaste-me com tanta força que gemi. Apertaste mais. Gostaste daquele som de prazer e dor que não parava de emitir.

Mas como tudo tem um fim, apartámos-nos. Cada um seguiu o seu caminho em direcção a casa. Ainda voltei atrás para te dizer que queria dormir com o sabor dos teus lábios mas, quis o Fado que tudo não passasse de um sonho.

Acordei e chorei. Chorei de saudade e alegria. Saudade de desejar. Alegria por não te amar.

terça-feira, janeiro 21, 2020

A pior das sensações volta - parte três mil cento e vinte e quatro e meio

Era noite escura.

Ela saiu de casa para um café. Saiu de casa, bem arranjada e perfumada. Era um dia como todos os rotineiros dias em que a vida se torna - por mais que não o quisesse.

Ao fechar a porta de casa, sentiu um frio, quase gelado de neve que lhe subiu e desceu todo o corpo. Era um dia de Verão. Como podia? "Foi só um calafrio" - pensou. Mas porquê? Olhou o telefone para confirmar qualquer negra notícia. Mas o telemóvel encontrava-se como a noite, negro!

E andou. Não pensou mais naqueles cabelos que, momentos antes, se haviam levantado como uma grande floresta. Mas pensava no café!

Acendeu o cigarro. Como de costume, puxa o cigarro, coloca-o gentilmente na boca e ri-se de pensar que havia algo de diferente. Sabia o que era, mas nem pensou. O isqueiro em seguida. Rodou a pedra e um pequeno clarão rasga a escuridão. Aquela chama, dançarina, protegida por uma mão, procurou a ponta do cigarro e, assim que os dois elementos se encontraram, naquele instante, inspirou, sentiu aquele fumo de cigarro digestivo rodar dentro da boca, conhecendo todas as papilas e apalpando todos os dentes e sorriu. Sorriu porque a imagem do cigarro que se juntava à chama a fazia lembrar os encontros amorosos. Pensou em dois amantes separados que só por forças externas se podiam encontrar. Mas aquele sorriso, depressa se escondeu com a tristeza daquele encontro fugaz. Será que aquele encontro de milésimos de segundo fazia valer a separação que se avizinhava ainda antes de se beijarem?

Gostava de caminhar a fumar. Distraía-a. Sempre que o fazia, o seu passo acelerado do dia, era substituído por um mais lento, semelhante às nocturnas horas. Apreciava as estrelas e a brisa que lhe tocava o rosto, como quem esconde uma lágrima. E lá teve que enconchar a mão para proteger aquela fonte de calor e impedir que se extinguisse mais cedo que tarde. Achou piada aos barulhos. Parecia que estava mais atenta, pois ouvia sons que lhe pareciam estranhos. Ao virar o canto da rua, a torre da igreja, apareceu-lhe imponente, fálica, virada para a Lua - o café estava perto. E o amante da chama chegava ao fim. Rodou-lhe a ponta até ficar só com o filtro na mão. Despejou aquele falecido no lixo, massajou o tapete de entrada com os pés, a cabeça baixada, mostrando o respeito e a cordialidade de quem entra em espaço que não seu. Levantou a cabeça, rodou-a a procurar uma amiga, com quem não tinha combinado nada e,

O espaço tinha ficado vazio. Onde estavam os amontoados de corpos que tinha visto? A música? O mundo desaparecera!
"Puta que pariu!!! - gritou com o megafone mental. "Outra vez?" - berrou surdamente. O calafrio... Lembrou-se do calafrio.

segunda-feira, abril 29, 2019

Shatter

And the house is empty again.

It's when darkness comes that the mind flows. The day came to an end. The work is done.. today's and tomorrow's.

And I started thinking about writing. I love doing it but, a writer's block always comes. And so, my fingers slide through, up, on the keyboard and letters join to form words. Disconnected words join to make sentences, but the ideas still fly, and the sentences become non-sense texts about absolutely nothing.

I am thinking of Assessment Worksheets. Parts and times and timetables and the end of the school year is near, Ffs… the end is near!

And listening to music. I always listen to music when writing. It's nice. It's relaxing. But sometimes, one absolutely random music pops to bring memories. Ghosts from the past.

The best weeks are this ones. The ones one starts thinking of "songs of ice and fire". I like them. They are my own way of meditating.

I wish I could remember my first memory. I would like to describe it to you. But I can only remember the lack of …. the lack of… the lack of… I can't even remember what lacked me whilst a youngster.


It's a funny thing.. Last week I dreamt of you. It's always the same dream. We were walking around somewhere, together. Holding hands. You looked at me, I stared at you and your face vanished and I shattered. But, despite being broken I could still sing:

"Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall;
All the king's horses and all the king's men
Couldn't put Humpty together again."

sábado, novembro 17, 2018

My.. mine.. hers

Looking at this freaking huge, empty house is scary. Not scary like "Scary Movie" - I haven't got a dumb serial killer after me hiding behind the curtains - but like drama scary.

A physical emptiness can, may, and most definitively, will have repercussions in one's state of mind. One starts feeling "saudades".
That means that we start missing "when", "where", "why" or even "who", and this is me trying to come back to grammar.

But this time I began thinking about demonstratives. I was thinking about "My" ex-, and realised that these small possessive adjectives are quite difficult to teach. We do not have "adjectivos possessivos" and they always come before nouns. And they give a possessive characteristic to someone or something. But it's still always strange. Was he/she/it ever our possession?
So I jumped to thinking he/she/it was "Mine". Now, here, in this case, we do have possessive pronouns. And we can move them along inside the sentence. But in English they are used to show that something belongs to someone. So the "mother is mine", because they always follow the verb.

And she left because of that.. She was a "personal subject".. She knew she was no one's belongings. She was no object and I wasn't hers.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Memories

I was going through that new thing in Facebook - "Memories" - and I came across with a very old one. The oddest thing is that when I saw it was from eight years ago, I started thinking of where, when and why and...

Wh- questions are sometimes hard to explain to students learning English as a Second Language. One might think it's easy, but we use it like socks.
Now go and try explain 12/13 year-old kids that where is for places and when is for time and why is reason and who is… who is just who. It's not an easy task.

I think that I was living near Rio Arunca at the time. That would be the WHERE. A place in town that leads us right to the river bank. And I don't mean the one where you save your Money even though that would still be a "where".
It was so many years ago I cannot actually remember. I was younger than I am today. I was dating a girl. I had just dropped university. I wrote something to her and that was actually the "memory". This may be the WHEN. The time I wrote the "memoir".
And the fuckin WHY I wrote the piece of shit just is out of my rememberance. I thought I was in love. Or am sure I was? And needed to let her know that. Why? I wasn't sure of anything and neither was she.

And the years went by. And a memory came to haunt. Are all memories a ghost? They may as well be, but I ain't no Ghostbuster to trap them down and recycle them. I live with those ghosts.. Some I can play with, others I...

quarta-feira, agosto 29, 2018

O Amor é cego (mas ainda tem idade)

Há anos… há muitos anos atrás, numa altura de felicidade relativa, de reis e rainhas, príncipes e princesas, o mundo era um conto de fadas e todos viviam cegos e seguros dessa felicidade relativa. Era a Idade da Utopia.
Eram tempos em que o Homem regia a sua vida segundo as leis dessa felicidade relativa. Podiam comer o que quisessem. Beber o que quisessem, pegar o que quisessem. E ninguém dizia nada. E um dia todos eram reis e rainhas, príncipes e princesas.
E as relações eram do mais honestas possíveis. Só se era amigo até um se fartar. E quando se fartasse, dizia e escolhia outro amigo. O mesmo se passava com os homens e as mulheres. Não havia matrimónio, nem igreja. Ninguém se casava. Não havia necessidade. Relações duradouras não existiam. A vida era como é, feita de experiências. E essas experiências levavam a partilhas quase obrigatórias de vivências, de pessoas. Mas não havia a noção de Amor. Ninguém amava. Seria essa a razão de todos viverem em felicidade relativa?


Mas um dia tudo mudou. Mas porquê? Como? O que se passou? Conta-nos!!

O que se passou?! Simples! A escrita apareceu. E os poetas começaram a olhar para lua e a chamá-la de amor. Olharam para as flores e chamavam por alguém que lhes aparecia distante. E viam riachos e ansiavam que a Lídia se sentasse à sua beira. E começou o sofrimento. O Homem começou a procurar companhia permanente. E apareceram os primeiros ladrões. Primeiro roubaram corações. Mais tarde roubaram bancos. Os reis e rainhas, príncipes e princesas não trocaram mais, antes trocaram entre eles.
E se antes o Amor não existia, como que quisessem que não nos esquecêssemos de tempos de felicidade relativa, foi nos dito que o Amor continua cego, que não escolhe cor, nem género, nem idade.

E então? Como acaba?


Acaba quando de vez em quando nos cruzamos com uma dessas pessoas. Alguém que amamos e que nos ama de volta sem conhecer a cor da nossa pele, mas antes a cor da nossa alma. Sem olhar para o nosso género, mas antes para o tipo de confiança que transmitimos. Que nos diz que a nossa idade é a idade da vida que quer passar connosco.


Que bonito!


É mesmo? Terei contado isto bem ou a história é ao contrário?